Selfie close up levemente de lado, feita com o braço direito. O braço esquerdo está erguido fazendo um "2" com os dedos. Estou na moto (nao visível), de capacete (vermelho com preto abstrato). Estou usando uma jaqueta de proteção cinza escuro com creme. Ao fundo se vê uma estrada, seguindo da esquerda para a direita. Do outro lado da estrada há um céu nublado e uma montanha à direita da foto.

Diários de Doutorado – 012

Fim de expediente. Início de texto. Quando eu falo da minha hora de trabalho eu geralmente falo que trabalho a todo momento. O primeiro motivo é que por mais que eu me livre dos afazeres matemáticos esses afazeres continuam encucando minha mente, pois são problemas pedindo para serem resolvidos. E quando paramos de trabalhar mas não o resolvemos corremos o risco de ficar com eles martelando nossa mente por muito tempo. Aquela vontade de resolver. Mas vai além disso. Eu sempre penso que trabalho a todo momento pois muito desse trabalho, e agora muito mais na pandemia, acontece em casa. No meu quarto. Um ambiente que, teoricamente, serve apenas para dormir. É difícil se desvincular do trabalho quando você mora nele.

No meu ensino médio pré-militar, já muito citado no Panoramas, eu tinha minha vida regrada numa planilha. Hora para tudo, inclusive descansar (quase não tinha essa hora). Funcionava, mas era justificado pois eram dezenas de matérias diferentes com iguais prioridades. Na faculdade isso tentou ser mantido mas aos poucos foi morrendo. Ao ponto de estudar por urgência. Estudar pro prazos finalizando. Estudar por provas próximas. Receita do desastre (que eventualmente considero que se tornou minha graduação). Há aí, claro, uma questão: adentrando na vida acadêmica você não fica mais resolvendo questões com gabarito, muitas vezes seu bom senso é o gabarito, sua interpretação do resultado. Isso é ciência.

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Sempre tive em mente a prioridade de me dar tempos de descanso, tempo para hobby. Mas até isso estou agora repensando. Repensando no tipo de hobby. Considero, e é, tocar violão e guitarra um hobby. Mas é um que precisa de aprendizado, que requer treino, tempo, estudo. Não é um hobby livre, leve e solto. Ao mesmo tempo é produzir coisas aqui para a internet. Ou aprender um idioma. Ou… (bote na lista). Esse ano iniciei uma limpeza geral de aleatoriedades custosas e tem sido muito efetivo. Mas abrir a mente para realmente nada fazer está ajudando mais.

Hoje decidi por em prática esse passado de horas definidas. Vou resumir meu dia de trabalho. Era para fazer umas contas. Comecei num horário até que bom pela manhã, e não precisei fazer o almoço. Nada mal, boas horas livres. Mas pela manhã me perdi por quase 1h vendo pontos da abertura das olimpíadas de 2016, a do Rio. A tarde, tendo comido mais do que o necessário, li por pouco mais de meia hora um livro de ficção e em seguida cochilei por tempo similar, deitado, descansando o corpo que ficou a manhã sentado. Voltei a tentar trabalhar. Me arrastei até pouco mais de 17h.

Eu poderia ter continuado, tenho compromisso logo mais, meu Kung Fu. Eu poderia ter estendido esse trabalho por mais tempo, mas resolvi terminar no horário comercial. O motivo foi um raciocínio óbvio que sempre tive mas raramente apliquei. Se eu tiver na minha mente que tenho todas as horas disponíveis pra trabalhar o que impede meu corpo de procrastinar ? Infinito por infinito, é tudo infinito. Mas se eu tenho um tempo limite eu tenho um prazo. Eu tenho em mim uma necessidade de produção. Sinto que é mais fácil fazer algo quando se sabe o tempo em que isso irá acabar. Aquela coisa, nada como um prazo para fazer você ser super produtivo e não enrolar.

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Muitas pessoas realmente são atoladas de trabalho, tarefas, prazos. Não é o meu caso. O meu caso é onde a falta de ordens, a falta de prazos, a falta de cobranças me deixa nesse estado morno, onde não encontro uma motivação para não dar uma escapada no YouTube para “rapidinho” ver um vídeo de olimpíadas. Antes da pandemia eu fazia isso indo ao CBPF, lá sendo minha hora de trabalhar. Dessa forma eu tinha um horário fixo, eu tinha que ter alguma produtividade. Funcionava razoavelmente bem. Mas podia ser muito melhor não fosse o trajeto longo desgastante. Aliás, quando levava o notebook e a bateria dele durava 7h meu prazo era esse, a bateria do notebook. Não levava a fonte propositalmente.

Então é isso, parei o trabalho no horário comercial. E amanhã inicio novamente. E terei que tomar cuidado com distrações para conseguir trabalhar nesse meu LIMITADO horário. O prazo do doutorado é muito longo e o faz parecer infinito. Mas a verdade é que esse pensamento, ou a falta de um, causou já muito estrago. O que eu produzi no trabalho hoje poderia ser feito em 1h ao invés de um dia. Não fosse uma dispersão surreal causada por esse ambiente de casa.

Comentários

Um comentário em “Diários de Doutorado – 012”
  1. Lucas disse:

    Realmente, “é difícil se desvincular do trabalho quando você mora nele”, acordo já pegando código pra resolver. Como todos os meus hobbies também se resumiam a aprender alguma coisa, resolvi mudar um pouco. Comecei a correr e escutar alguma música diferente. Desde que comecei a me dedicar mais aos meus estudos (final do Ensino Médio) até esse momento da graduação, deixei de lado a simples ação de escutar algo novo. Pode parecer algo meio bobo, mas às vezes me parece estranho. Enfim, sucesso pra você, Guilherme! E obrigado pelos seus textos.

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