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Dr Stone e a necessidade de back up

Personagem de animação em close-up com a mão para frente onde a frente dela se encontra escrito em amarelo em degradê para vermelho "dr stone". O personagem usa uma camisa branca de gola aberta e alta, é branco com cicatrizes na testa sobre os olhos. O cabelo é branco e para o alto, apenas parte aparece na foto. Há duas mechas caidas sobre o rosto, elas possuem um degradê até o verde, nas pontas. O fundo é uma floresta, sem céu.

Recentemente escrevi aqui no site sobre Dr. Stone, sério de mangás e anime que aborda um mundo pós-apocalíptico onde a humanidade foi transformada em pedra. A trama se passa então na busca por reviver a humanidade e recriar a civilização. Porém essa trama se decorre com a maravilhosidade de utilizar uma abordagem científica da coisa, diferentemente de séries de zumbis que ao fim se resume a viver dos restos do mundo antigo. Se contentar com a situação e não acreditar na reestruturação da sociedade.

Porém sobre a série já tratei no outro texto, aqui quero trazer um outro tema, que um leitor me relembrou ao comentar no artigo de Uma sociedade num castelo de cartas, de anos atrás. Quero falar sobre a sociedade, a nossa sociedade, que fica num limiar muito breve entre estar avançando e estar beirando o caos. Talvez uma visão muito alarmista mas talvez necessária. E talvez muito atual haja vista o momento em que estou escrevendo sobre isso. A pandemia de covid-19.

Vivemos numa sociedade, no geral, não preparada para a adversidade. E hoje pagamos o preço por não termos um bom controle de doenças, um sistema financeiro global que possa aportar períodos de lockdown. Enfim, não estamos preparados, principalmente no Brasil. Isso não é de espantar ao considerarmos que nem mesmo repassar uma mensagem necessária e simples, como a de usar máscaras, conseguimos, mesmo com multas envolvidas no caso.

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Quem tem dois back ups tem um e quem tem um tem nenhum. Essa é uma frase muito comum no meio da informática. Precisamos de arquivos reservas para garantir que uma perda não seja definitiva. Precisávamos que os objetos perdidos no incêndio do Museu Nacional estivessem todos eles escaneados tridimensionalmente, preservando a informação contida neles. Precisamos ter nossas fotos no computador, num hd externo e talvez até na nuvem. Pois o nosso celular pode ser facilmente roubado, quebrado, perdido. E com ele diversas memórias que nunca voltarão. Eu mesmo já perdi fotos únicas da minha vida por conta de problemas no computador. Eram outros tempos, hoje é difícil acontecer isso comigo.

Vivemos numa sociedade que exporta essa insegurança para sua forma de governar. Governos que não mantém fundos emergenciais para situações extremas são um bom exemplo do que não se fazer. Imprevistos por definição nos pegam de surpresa, seja uma enchente, um ciclone ou um vírus respiratório novo. Mas mais do que isso, precisamos deixar essa segurança para gerações futuras para muitos anos a frente. O maior legado da humanidade e sociedade é sua infraestrutura. As estradas deixadas pelos Romanos serviram para sociedades europeias se interligarem, porém sua falta de bibliotecas espalhadas os deixou cegos ao conhecimento já adquirido (somado a outros fatores da sociedade). Ao mesmo tempo que a infraestrutura que o império Macedônio de Alexandre deixou nos países árabes permitiu a eles viverem a denominada Era de Ouro Árabe, com vasta produção e difusão de conhecimento.

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É preciso que possamos proteger nosso conhecimento, nossa estrutura, nossos dados do que não pode ser previsto, pois basta um grande banco brasileiro perder (ou por ataque perder) todos os dados financeiros de um cliente e é capaz de entrarmos numa crise financeira sem precedentes em toda a história do país. Por isso não podemos viver num castelo de cartas, mas sim num lugar com base sólida. E por isso Dr Stone, apesar de mostrar o ressurgimento por meio de um personagem mostra também que um certo personagem garantiu uma alternativa de humanos com conhecimento básicos a formar uma aldeia e seguir com a reestruturação. E a única diferença desses humanos para os outros empedrados era o conhecimento em si. O conhecimento do que pode ser feito. Saber que energia elétrica é uma possibilidade muda uma sociedade.

Em Star Trek há um planeta chamado Memory Alpha, onde a Federação guarda todo seu conhecimento. E esse planeta é aberto, de livre acesso, quase como uma wikipedia. Ele serve tanto como base de dados como também segurança para a Federação e sua estrutura. Onde estão nossos servidores guardando as informações científicas que possuímos ? Estão seguros de tempestades solares ? Possuem fonte de energia renovável própria ? Precisamos de segurança, de back up.

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