Imagem de longos campos. O chão mais próximo é lama, mas ao fundo gramíneo. À direita vemos uma casa de barro simples, estrutura agrícula.Á direita uma mata de árvores, metade superior é céu azul com nuvens.

Minha Experiência na Fronteira

Este título foi uma ideia da Gabriela, andando pelas não movimentadas ruas de Bagé após termos ido comprar alguma coisa da qual já não me lembro. Estávamos e estivemos brincando sobre minha imersão sulista nas duas semanas que passei com ela (nossa primeira vez nos encontrando no mundo real depois de anos). Eu já havia visitado o sul antes num Natal, mas segui no sentido oposto, fui à Gramado, Canela, Nova Petrópolis, Bento Gonçalves, Garibaldi. Roteiro turístico padrão de visita ao Rio Grande do Sul. Muito daquilo que me parecia original gaúcho estava lá entremeado com cultura imigrante e requintes de enfeite turístico. Mesmo a melhor amostra tradicional, um jantar numa churrascaria de costelão, Garfo e Bombacha, foi turístico. Foi ótimo, uma apresentação de mais de 1h com danças, músicas e boleadeiras. Boleadeiras essas que não vi nessa minha visita, mas bem, estamos em 2021.

Primeiro tive uma razoavelmente longa viagem de vinda para Pelotas, de onde já encontrei uma cidade que ao mesmo tempo se parecia muito com uma cidade brasileiro padrão da época da República Velha e ao mesmo tempo uma cidade de uma região bem mais particular desse país. Ainda assim preservando o status moderno de uma cidade razoavelmente grande e com boas instituições públicas de ensino. Nesse caminho comecei a ver coisas que o pasto degradado do Rio, ou de boa parte que eu passo no Rio, não possuem: grandes plantações e silos de estoque de grãos. Começava aí a perceber que eu estava vendo coisas que antes eu apenas vira no meu Globo Rural.

Após Pelotas fomos a Bagé, e aí a experiência se intensificou. No caminho o pai da Gabriela me explicou da geografia local. No melhor sentido de explicar o espaço com sua história e evolução temporal junto. Não é qualquer experiência turística que garante esse apanhado completo. Aliás, Pampa é um bioma novo para mim, então era tudo diferente. A pessoa que vive no mundo acidentado do Rio de Janeiro se perde ao ver planícies infinitas de baixa vegetação.

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Em Bagé estive realmente num local diferenciado. Bombachas na rua como traje comum, chapéu, boinas, etc. Aquilo que antes parecia folclórico no show da churrascaria ali já era traje comum de sair de casa. Correarias vendendo diversos itens de couro como eu nunca vira antes a um preço impossível para o Rio, por exemplo. Já estava então há uma semana convivendo nesse dialeto as vezes complicado de entender quando vindo com palavras desconhecidas.

Fui à fronteira com o Uruguai, conhecemos estancieiros e pessoas que vivem bem da terra. Conheci processos de plantação, de criação de gado, para corte e para leite. Fui apresentado a uma vida bem diferente da que conheço. Uma vida onde literalmente não se tem vizinhos, diferente do meu “não tive vizinhos na infância”. Aliás, até andei a cavalo, comi a tal de butiá e quase me arrisquei numa moto complicada da “campanha”. Nem vou entrar nos detalhes de rapel, paintball e da realidade comum de ter arma de fogo em ambiente rural ser algo comum. A Gabriela brincou que eu estava o meme do alistamento no exército brasileiro!

Percebi assim o tamanho desse país e suas diferenças. Mas mais do que as diferenças também pude perceber as similaridades. Somos um povo diverso, com costumes locais que nos fazem quase estrangeiros mas ainda falamos a mesma língua, comemos do mesmo aipim e fazemos quase o mesmo churrasco.

Quando estive em Natal isso estava ficando claro para mim. Uma cidade no deserto de dunas. Uma terra onde se não molhar nada cresce. Uma terra árida, mas lá eu estava num congresso e não pude pegar a experiência real da vida do semiárido. Mas esse contraponto me confirma, (é) preciso conhecer o Brasil como um todo. O que dizer então da vida fluvial amazônica ? Outro mundo particular! Esse texto bem poderia ser patrocinado por uma companhia de viagens, mas mesmo não sendo (a menos de problemas de pandemia), por favor, vá conhecer o Brasil.

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