Personagem de animação em close-up com a mão para frente onde a frente dela se encontra escrito em amarelo em degradê para vermelho "dr stone". O personagem usa uma camisa branca de gola aberta e alta, é branco com cicatrizes na testa sobre os olhos. O cabelo é branco e para o alto, apenas parte aparece na foto. Há duas mechas caidas sobre o rosto, elas possuem um degradê até o verde, nas pontas. O fundo é uma floresta, sem céu.

O Ressurgimento do Mundo em Dr. Stone

Primeiro de tudo, esse aqui é um papo sobre o anime, não o mangá, e ainda assim, sem spoilers de trama. Agora vamos lá.

O ano é 2019 e meus ouvintes pedem no nosso grupo do Telegram para eu assistir a esse anime. Eu estava meio aposentado de animes e demorei a fazer isso, mas foi. Os primeiros episódios foram difíceis, um personagem gritava demais para eu conseguir me habituar, mas fé, segui em frente. Outras coisas padrões de anime eu poderia falar, como representação feminina neles, mas acho que todos sabem sobre isso, é generalizado, e não vem ao caso.

A base da trama se dá pelo fato de que aconteceu algo no mundo onde todas as pessoas foram transformadas em pedra. Quase 4mil anos depois um jovem consegue voltar a ser humano devido a uma acidental ação da natureza (somado a uma certa força de vontade dele em se manter consciente mesmo empedrado). Ele acorda e então de forma otimista, utilizando de seu vasto conhecimento científico (principalmente de química), decide começar a reconstrução do mundo e “desempedramento” das pessoas. Uma tarefa difícil, refazer a humanidade do zero e salvar algumas bilhões de pessoas.

A trama se desenrola e vamos tendo uma aula interessantíssima sobre basicamente todos os aspectos da ciência humana, química, geologia, física, astronomia… etc. Vemos a dificuldade da produção de materiais, obtenção de compostos, utilização de fornos, obtenção de substâncias puras. Vemos aí a dificuldade real que foi a humanidade chegar até onde estamos hoje, no nível de refinamento do uso do meio ambiente (embora também irresponsável até então). Hoje as crianças já tomam por normal um smartphone com telas sensíveis ao toque, mas me lembro quando vi isso pela primeira vez, num equipamento de trabalho do meu pai, já ali parecia coisa de outro mundo. E quando vi um iPhone me pareceu realmente aquele objeto de gente rica, de gente que tem dinheiro para tecnologias inalcançáveis. Hoje é trivial.

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MAS, e é um grande “mas, isso se torna trivial por conta da estrutura industrial, logística e educacional que temos no mundo. Usamos as mesmas estradas que há milênios até foram inicialmente feitas. Assim como as grandes cidades em que vivemos não surgiram de um dia para o outro. Então iniciar isso do zero é uma tarefa SURREAL. Porém há uma coisa que Dr. Stone mostra muito bem, e é seu objetivo principal, mostrar que a maior riqueza que a humanidade possui é o conhecimento. A sociedade pode ter ruído, prédios não existirem mais, indústria ter sumido, estradas viraram florestas, mas se conseguirmos manter o conhecimento vivo nos seres humanos teremos tudo disponível para reerguer a sociedade. Com isso avançar da idade da pedra para a era da comunicação é algo 10 bilhões de vezes mais fácil, ou até mais.

Isso está personificado no personagem Senku, o primeiro humano de volta, em questão. Por sorte, ou não, o primeiro a voltar possuía um conhecimento suficiente para trazer de volta a sociedade. É um personagem não-realístico, dificilmente encontraremos na humanidade alguém que possua em detalhamento tanto conhecimento técnico. Uma coisa é saber o processo, outra é saber exatamente o processo. Mas dá para chegar perto, ainda mais quando é muito bem mostrado que Senku raramente acerta de primeira, mesmo com o conhecimento na mente há muita tentativa e erro, um dos princípios fundamentais, a experimentação.

Mas por mais que Senku não seja realista isso me abre um pensamento geral sobre como poderíamos ter humanos mais hábeis se tivéssemos um ensino que trouxesse mais inventividade nas suas práticas. Assistir Dr. Stone me lembrou de quando eu era criança e vi, numa feira de ciências na escola um aluno do ensino médio fazendo uma reação de Soda Cáustica com Alumínio, provavelmente uma reação exotérmica gerando muitas bolhas e distorções, como se estivesse fervendo. Adorei. Peguei meu dicionário-enciclopédia e fui procurar o que, afinal, era soda cáustica. Ou seja, procurei “soda” e depois “cáustica”, pensa que a vida sem internet é fácil ? Obviamente nunca consegui realizar a reação, apesar de ter tentado. Pois “soda” se relaciona com “sódio” que eu descobri que fazia parte do sal (NaCl), mas faltou muito fazer Hidróxido de sódio do sal de cozinha, mas valeu a aventura! E talvez na escola valeria a tentativa de ensino. Mas não havia sequer um laboratório para isso, muito mal professor. Paciência.

Mas veja, eu poderia ter sido mais Senku com o ensino mais apropriado. Infelizmente apenas minhas aventuras caseiras que conseguiram alimentar isso. Assim como minhas tentativas de fazer um barco motorizado com a ajuda do meu avô, ou os outros diversos projetos que tentei. Quem sabe talvez eu teria feito engenharia no fim em vez de física, como por muito tempo pensei. Mas isso é um exercício do “se” e prefiro pautar isso no exercício de imaginar como podemos melhorar isso para o futuro. Agradeço a Dr Stone ao menos por trazer isso a tona. Pessoas se interessando por ciência, genuinamente, a assistir a um anime de divulgação científica.

Ps: aquela explicação de E=mc² não faz muito sentido na real, mas fazer o que ?! É uma equação pop. Em breve mais sobre Dr. Stone aqui.

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