8 pessoas usando vestes pretas com sobretudo. Uma ao centro erguendo uma bandeira num cabo. A bandeira é azul com estrelas e tem as pontas rasgadas, é a bandeira da Federação dos Planetas Unidos. Os outros pesonagens se encontram post ao lado da central, uma mulher negra. Estão num ambiente rochoso e sombrio, de céu encoberto. Do centro para os dois lados os outros personagens se encontram abaixo do anterior, tendo a central posição superior de detaque no chão em que estão.

Pesamentos sobre #StarTrekDiscovery S03

Foi lançado hoje o último episódio da terceira temporada de Star Trek Discovery, disponível mundialmente na Netflix. Ignorarei aqui comentários sobre as temporadas anteriores pois não vem ao caso, pois esse é um assunto mais geral sobre a grande premissa dessa última temporada, ótima temporada. Quem me conhece sabe que nesse site aqui não se fala mal de Star Trek (brincadeira, mas por enquanto sem motivos para falar mal). Aliás, ouça o Panoramas sobre Star Trek.

Cuidado com spoiler de premissas aqui. Na terceira temporada temos a USS Discovery (NCC-1031) sendo transportada para o futuro, aproximadamente 900 anos no futuro, para descobrir que um evento cataclísmico na galáxia, ainda sem causa conhecida por todos, dizimou a maioria das naves espaciais que estavam ativas usando seu núcleo de Dilítio para propulsão. Isso arrasou a fundação da Frota Estelar, a frota de naves que resguarda a Federação dos Planetas Unidos. E mais nenhum “spoiler” será dado além dessa premissa.

8 pessoas usando vestes pretas com sobretudo. Uma ao centro erguendo uma bandeira num cabo. A bandeira é azul com estrelas e tem as pontas rasgadas, é a bandeira da Federação dos Planetas Unidos. Os outros pesonagens se encontram post ao lado da central, uma mulher negra. Estão num ambiente rochoso e sombrio, de céu encoberto. Do centro para os dois lados os outros personagens se encontram abaixo do anterior, tendo a central posição superior de detaque no chão em que estão.

Como sempre comento, ficção científica tem uma grande utilidade em contar histórias hipotéticas que possam nos servir para reflexão. Reflexão sobre nossa sociedade presente, questões do passado, e possibilidades futuras. Nessa temporada os produtores foram ousados em apostar num evento que causaria o maior impacto até então já tido na Frota Estelar. Um evento pontual, sem causa conhecida, imprevisível, inevitável e arrasador. Essa reflexão é muito útil a nós por diversos motivos. Não creio que tenham pensado nisso com base na pandemia atual no mundo, mas estamos passando por uma situação muito similar, de certa forma. Um evento imprevisível que colocou o mundo numa quarentena (idealmente) por quase/mais de um ano. Empresas falindo, culturas mudando, países em crise, protestos aumentando. Para ser pior bastaria a covid ser mais mortal do que já é.

Mas nesse caso digo imprevisível pois ela não era inesperada. Vários foram os avisos sobre possibilidades de novas pandemias no mundo. Um mundo mais populoso, conectado, intercambiável. Um prato cheio para doenças. Era esperada e por muito tempo foi falada da necessidade de termos sistemas de saúde mais robustos, prontos para expansão e atendimento em massa. Campanhas de vacinação incentivadas para reduzir moléstias desnecessárias. Campanhas de prevenção para reduzir a sobrecarga no sistema. Uso de inteligência artificial e outras tecnologias para agilizar e otimizar o procedimento médico. Falhamos, em parte.

E a imprevisibilidade e inevitabilidade são coisas intrínsecas à vida. Certos agentes da natureza estão fora de nosso controle, como vulcões. Mas podemos estudar, prever, entender e assim prevenir. A sociedade em Star Trek possui uma sofisticada estrutura organizacional, de pesquisa, de auxílio, de quase tudo, afinal, é idealizada como uma utopia, e ainda assim a inevitabilidade e imprevisibilidade venceram momentaneamente.

Na nossa sociedade não são poucas as questões de perigo aberto. Estamos estudando o sol o suficiente para saber se nenhuma mudança no comportamento dele súbita fritará todos os equipamentos eletrônicos aqui na terra nos levando para o século retrasado em menos de 1 minuto ? Nossos equipamentos, ao menos os mais vitais, são feitos pensando nessa possibilidade ?

E essa questão se abrange a milhares de outras, mais simples e triviais do dia a dia, como o Grande Rio sempre alagando nos meses de janeiro a março com os temporais sazonais completamente esperados há séculos, mas que ainda assim causam o caos e morte numa das principais regiẽos populosas do país.

É necessário termos a cultura da prevenção, a cultura da redundância, a cultura do plano B, a cultura da pesquisa de alternativas, a cultura de política planejada, a cultura da diversificação, inclusive econômica. Pois um país que vive de exportar commodities é pego numa crise quando o preço delas caem, não possui planos alternativos para se sustentar.

E mesmo assim não será suficiente, pois o inevitável sempre poderá acontecer. Mas espero que sempre estejamos prontos quando ele vier.

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