Fundo preto. Letras gigantes rosas escrito ISAAC ASIMOV, uma palavra sobre a outra. Entre elas está escrito menor "O FIM DA ETERNIDADE". Há diversas linhas brancs aleatorias, como teia, cobrindo tudo isso.

O Fim da Eternidade

Mais uma vez aqui para falar de Asimov. E será a última ? Dificilmente.

O Fim da Eternidade é uma narrativa de Asimov com um conceito hoje muito conhecido na ficção científica, porém muito retratado posteriormente. Agências de controle de viagens no tempo. Hoje vemos a TVA na Marvel, a Temps Aeternalis ou Organização de Umbrella Academy, ou até mesmo a Frota Estelar em Star Trek num tempo posterior à Voyager brevemente mostrado, ou a mais recente Tenet, que tem algo como essa premissa. Essas agências servem para controlar viagens no tempo e impedir aberrações produzidas por máquinas do tempo, impedir que o passado seja mudado e por aí vai.

Esse é um conceito curioso pois parte do princípio de que o futuro estaria escrito, aliás, a implicação de uma viagem no tempo para o passado implica um futuro já existir, certo ? Bem, imagino que sim. A física não tem muito a dizer sobre viagens no tempo para o passado, mas sim para o futuro por meio das questões de uso de referências na Relatividade Especial e a deformação do espaço-tempo na Relatividade Geral, exatamente como acontece em Interestelar, e como falei no episódio Relativizar e Fotografar do Panoramas.

Asimov trata esse conceito da forma mais precisa possível, comparado a todos os outros trabalhos posteriores que se apoiaram no seu princípio. A agência do Asimov no livro se chama Eternidade, onde trabalham e vivem os Eternos, posteriormente incluídos no Asimoverso quando mencionada rapidamente num dos últimos livros da Fundação como um mito antigo. A Eternidade tinha como objetivo tutorar a humanidade, garantir uma eficiência máxima e bem estar a todos, de acordo, claro, com os parâmetros dela. Isso significava impedir avanços, assassinar pessoas chave para montar um tempo de acordo com o planejado.

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Essas modificações eram feitas de forma matemática pensadas em termos de Teoria do Caos. Todas as modificações precisavam serem muito bem planejadas a ponto de terem o controle ideal da ocorrência dos eventos. A dinâmica da sociedade poderia levar à efeitos impensáveis. Será que as pessoas imaginariam que o assassinato de Francisco Ferdinando levaria a uma Guerra Mundial, que levaria a outra, que levaria a uma tal Guerra Fria ? Foi afinal o assassinato e uma pessoa em particular. Mas são efeitos que um sistema caótico como a sociedade humana fazem disso um desafio.

A ideia da Eternidade lembra um cado a da Segunda Fundação, o que até me parece o próprio Asimov se copiando, mas podemos refletir enquanto uma poda, a Eternidade, a outra tende a evitar que a humanidade se imploda. Prática similar porém medidas diferentes. Embora seja apenas um apanhado de histórias de ficção científica imagino que muito se pode ser tirado daí sobre modos de atuação do Estado sobre a sua população, sobre liberdades e deveres. A relação entre um governo que controla tanto o investimento em pesquisa que mata a criatividade e possibilidades com a de um governo de não dá nenhum direcionamento e isso leva à uma ausência de projetos ambiciosos bem geridos.

Falei pouco sobre o livro né ? Sim. Acredito que além da premissa mais do que eu possa falar aqui possa tirar a graça da descoberta da trama envolvida. Mas fica a dica de que a Eternidade não presta, é misógina na sua diretriz. Ainda existem outras muitas conexões com o Asimoverso, mas se tem um lugar bom por começar é nesse.

Leia O Fim da Eternidade

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