Eu agachado vestindo uma camisa cinza e com uma mochina nas costas. Estou de frente e centralizado na foto. Ao lado há uma cabeça de mamute (osso ou fóssil) maior que eu num suporte. O chão é de madeira polida com algumas largas colunas ao fundo.

Diários de Doutorado – 006

Fim de ano chegando ou chegado. Quais os aprendizados dele ? Quais as mudanças de perspectiva sobre o doutorado ? Vamos lá. É uma semi-retrospectiva pessoal.

O ano começou nem lembro mais como. Sei que por fevereiro eu estava enrolado no projeto que eu havia começado no Alabama. Estava meio perdido por ser um ignorante matemático para o que eu precisava, não que tenha mudado tanto. E estava razoavelmente convencido de que eu deveria apostar e muito na física computacional, até iniciei no meu canal uma série disso. Que gostei de fazer e rendeu bem. Não que ela tenha acabado, mas a tendência computacional não foi totalmente acompanhada ao longo do ano.

Fevereiro estava apresentando essas contas razoavelmente promissoras, até para algo grande, enquanto finalizada uma semana de workshop aprendendo Machine Learning. Enquanto planejava para a semana seguinte passar duas semanas em trabalho voluntário no Parque Nacional da Serra dos Órgãos contabilizando fauna. Talvez ainda role ao fim da pandemia, talvez. E isso ainda dependerá da minha paciência de querer novamente.

Em abril eu ficaria duas semanas na Argentina, finalmente realizando minha viagem de formatura, a que era pra ter acontecido há uns 4 anos ou mais! E mais uma vez ela não ocorreu. Também pensava em ir ao Japão ao final do ano encontrar a Gabriela Bailas, comer muito por Osaka e gravar uns trocentos vídeos que ela com certeza ia querer comigo lá. Não rolou.

Esse ano se resumiu a ficar em casa, para todos, claro. Iniciei um novo projeto, maior, mais simples e mais factível do que o outro. Basicamente fazer contas para confirmar uma explicação para um dado experimental. Esse projeto veio do nada, envolvendo várias pessoas. E com ele aprendi e ando aprendendo muito. Mais do que sinto que aprendi todo esse tempo. Como falei no último diário, devido à presença super colaborativa de não ser um projeto de pessoa para pessoa. Aprendi e sigo aprendendo muito com minha ignorância, e vi meu gosto pela área aumentar à medida que ia aprendendo e não ficando apenas boiando nos assuntos. Arranjei até livros físicos extraoficiais para ter em casa e me consultar melhor.

A minha vida online também faz parte disso tudo. Bem, esse ano o meu canal foi uma zona, teve piloto de vídeo pra tudo. Mas cheguei ao final do ano impulsivamente comprando uma guitarra e dessa vez tendo a certeza de ter unido o útil ao agradável. Adoro o projeto musical com ciência, de verdade, e sigo treinando pra dar a ele a cara e qualidade que merece. O podcast seguiu bem crescendo, crescendo em número de episódios também. E pro próximo ano ando com algumas ideias que talvez possam ser bem legais. Sinto que depois de muito tempo nebuloso finalmente esses objetivos na vida realmente estão ficando mais claros.

Agora isso não quer dizer que tudo esteja necessariamente bem. A vida acadêmica está complicada. Vagas reduzindo, vagas não sendo abertas. Vagas pedindo agora 439483 pós-doutorados. O que é isso, primeiro emprego aos 40 anos ? Primeira estabilidade na vida aos 40 anos ? Sinceramente, isso está errado. Não sei o que se dará e por sorte tenho ainda 2 anos até ficar largado no mundo após o doutorado, e aí decidir o que fazer. Sorte talvez de vocês, boa parte do meu público, que está entrando nessa carreira agora. Até finalizarem as coisas podem melhorar e muito, quando eu entrei estavam excelentes. Mas não posso negar, isso é para tudo. Se eu tivesse feito engenharia possivelmente estaria na mesma…

Gastei muito dinheiro esse ano, o Mercado Livre deve ter uma foto minha numa parede lá. Mas no próximo ano isso não poderá ser assim. Mas eu basicamente ou comi o dinheiro e/ou ajudei os outros nesse tempo complicado de pandemia. Meu luxo foi a guitarra e o amplificador dela, mas se vocês me ajudarem a desculpa de ser um investimento será justificado.

Feliz Natal a todos. Não se preocupem por se sentirem burros ao estudarem, todos se sentem. Inclusive, é pra isso que estudamos.

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