Metacognitivo: Mente, corpo, emoção.

Você está em um blog de divulgação científica, então suponho algumas coisas sobre você. Imagino você seja curioso e que goste de aprender. Acertei? Acho que você tem razão, descobrir as coisas do mundo pode ser maravilhoso. O que mais? Será que você gosta de estudar? Será que você precisa lidar com uma grande quantidade de informações? Nem sempre é fácil acessar tudo o que estudamos quando precisamos, mesmo que gostemos de aprender. E quando não gostamos? Será que tem um jeito de tornar esse processo mais simples e agradável? A resposta é sim. Muitas pessoas tentaram responder à pergunta: “Como aprender melhor”? Se você já frequentou uma escola, com certeza já experienciou no seu dia a dia pelo menos uma das possíveis respostas. Mas nem sempre os métodos de como agir estavam acessíveis, não é mesmo? Estudar mais? Se dedicar por mais tempo? Mas como estudar? Com certeza ler e praticar são respostas eficazes, mas isso não significa que não possamos testar outras possibilidades. Este texto não é um manual de ideias descontextualizadas, é um chamado à análise do aprendizado. Mas também não é um compilado de discussões teóricas. A ideia é trazer sugestões que você possa saber de onde vieram e avaliar se fazem sentido dentro do que você vive e se pode auxiliar na forma como você lida com o conhecimento.

Se vamos pensar nisso, a primeira pergunta deveria ser quem é você, esse sujeito que aprende. Você é uma mente? Presa em um corpo? Uma alma racional presa em um corpo material? Muitas correntes teóricas e metodológicas responderam a essa questão de formas diferentes. Algumas afastaram o eu pensante do corpo. É possível que você tenha sido ensinado que quanto mais nos envolvêssemos emocionalmente com os estudos, pior. Quantas vezes nos mandaram permanecer sentados e sérios para aprender?

A razão não seria alimentada brincando, correndo, pulando, ela deveria ser autocontrolada, disciplinada e sisuda. Será que o aprendizado não está no corpo? Quando você aprende, é fora do seu corpo? Será que existe mesmo essa separação entre mente e corpo? Será que o sujeito que aprende não é esse corpo?

Seguindo uma linha parecida, outras tradições também afastaram este ser pensante do seu aspecto emocional. Então, seria não necessário rir para aprender. Fatores cognitivos como memória, atenção e inteligência estariam distantes de engajamentos afetivos.

Mas existem outras possibilidades. Muitas pessoas podem ser beneficiadas de teorias e práticas que são voltadas a um aprendente tomado como afetivo e corpóreo. Estas concepções do aprendizado entendem que o aprendente é um ser complexo, com múltiplas potencialidades integradas. E todas elas estariam relacionadas. Você já percebeu que entende melhor as disciplinas que mais gosta? Não é coincidência o fato de gravarmos com mais facilidade quando foi aquele professor que a gente adora que explicou determinado assunto. O aprendizado não acontece a despeito da emoção, mas através e juntamente com ela. E podemos dizer o mesmo do corpo. As divisões entre corpo e mente, ou razão e emoção, são arbitrárias. Baseadas em dualismos que são muito difíceis de serem verificados na prática. Pelo contrário, somos seres complexos, multidirecionados. E podemos nos favorecer disso para estudar.

Como podemos usar essas reflexões para aprender melhor?

Em primeiro lugar, diversificando o aprendizado. Se estudar te faz passar muito tempo parado, considere aprender também algo que exija mais mobilidade. A distinção de estímulos te ajuda a exercitar a habilidade de se concentrar em diferentes situações. Isso te mantém mais atento para absorver melhor os conhecimentos, seja de um tipo de aprendizado ou de outro.

Sobre o tema do afeto, reconheço que nem sempre podemos escolher estudar somente os temas que mais gostamos. Na verdade, podemos explorar o fato de não nos identificarmos com esta ou aquela matéria. O que te incomoda nela? Aqui, a sugestão é tentar estabelecer uma relação emocional com qualquer assunto através do pensamento crítico. Ao estudar, critique! Você não precisa ter os melhores argumentos, mas elabore o que gosta e o que desgosta em cada tema. Se puder, faça por escrito. Explore e alimente seu sentimento, se aproxime e sinta. Logo vai perceber que suas críticas, positivas ou negativas, vão ajudar muito a se lembrar dos temas que aprendeu. Então, bons estudos!

Para saber mais:

LA TAILLE, Yves; OLIVEIRA, Marta; DANTAS, Heloysa.  Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Sammus, 1992.

WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

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