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DESABAFO DO FÍSICA E AFINS

Hoje, estou aqui para fazer um desabafo. Muitas pessoas me conhecem pelo canal “Física e Afins” do YouTube ou pelo Instagram @bibibailas. Eu sou divulgadora científica nas horas vagas e durante as horas não vagas eu trabalho como pesquisadora no Japão.

Sim, eu faço pesquisa acadêmica, com publicação de artigos, apresentação em conferências e tudo mais que o trabalho de pesquisa exige.

Eu decidi fazer o meu canal no YouTube como uma forma de popularizar a Ciência e ajudar muitas pessoas a pensarem de forma mais crítica e mais científica. Pensar de forma crítica é muito complicado, porque não aprendemos na escola, não aprendemos em casa, não aprendemos em basicamente nenhum lugar, até chegarmos na Universidade. E, infelizmente, algumas pessoas deixam a graduação sem saber o que é pensar de forma crítica e sem nem entender o que é uma metodologia científica. Meu canal também tem o objetivo de mostrar que a Física não é uma coisa difícil e monstruosa como todos imaginam.

O que não é a minha intenção com o canal? Viver como YouTuber e fazer desta ferramenta meu sustendo de vida. Então, eu não tenho a menor pretenção de sobreviver através dos meus vídeos. Sim, os vídeos ganharam muita visibilidade e muita gente começou a seguir. Penso que isso é a consequência de um trabalho feito com seriedade e respeito.

Agora, infelizmente, algumas pessoas não sabem usar a internet. Não sabem usar a sessão de comentários do YouTube. E pior ainda, não sabem como enviar uma mensagem por DM no Instagram. Obviamente, não são todas as pessoas que fazem isso, mas algumas. Porém, como o comportamento acaba se tornando repetitivo, eu fico cansada. Sim, eu me canso de tentar ler os comentários do YouTube para responder alguma dúvida e me deparar com uma chuva de pessoas sem respeito, empatia e consideração pelo próximo.

Me deparo com pessoas que ACREDITAM que o meu canal é como “uma empresa” e os inscritos são meus “clientes”. Para quem pensa assim, eu lamento informar que você não poderia estar mais errado. Pessoas que se colocam na posição de “jurados”. Entretanto, meu canal não está ali para ser julgado por vocês. Meu canal ele está na posição de informação. Sim, eu tento responder os pedidos e sugestões de vocês, mas quando eu julgo pertinente. Eu não estou aqui para SERVIR um público.

Além dos “jurados/chefes” do YouTube, encontramos os “estilistas” do YouTube, os “nutricionistas”, “políticos” e até mesmo os “fonoaudiólogos” que se sentem no direito de comentar do meu corpo, da minha voz, do meu cabelo, etc. E o que mais irrita, são as pessoas que escondem o seu ódio atrás de uma “crítica construtiva”. Saiba que crítica construtiva é OUTRA COISA. O que vocês fazem é destilar ódio.

Já recebo recados de pessoas que dizem que eu sou “mimizenta”, mas essas mesmas pessoas não dão a cara a tapa. Elas criticam, mas como? Escondidas atrás de um fake de internet. Ou atrás de um nome com foto, mas não mais que isso. Você não é MELHOR QUE NINGUÉM para julgar. Coloque-se no seu lugar.

Expliquei em uma última publicação como fazer uma busca através da ferramenta do YouTube e muita gente disse que eu “TINHA QUE ENVIAR O LINK PARA QUEM ME PEDISSE”. Não, eu NÃO TENHO QUE e sabe por quê? Porque eu não tenho que fazer nada, eu faço APENAS O QUE EU QUERO! Eu recebo por dia, centenas de comentários perguntando se eu já fiz vídeo X ou Y, mas a pessoa nem se deu ao trabalho de procurar. E sabe o que acontece quando eu envio o link? NADA! A pessoa não manda nem ao menos um “obrigado”. Então, antes de julgar coloque-se no lugar do outro.

Na era da informação, falta empatia e falta MUITA empatia. Quem acompanha o meu trabalho sabe que eu tento responder muitas pessoas. Já recebi conselhos de pessoas próximas para que não respondesse mais. Mas eu sigo respondendo, porque eu acredito que precisamos ajudar o próximo, mas estou repensando seriamente as minhas atitudes.

E não, não é porque eu não sei “lidar com o público. Pelo contrário, eu sei lidar muito bem com o público. O que eu não sei é lidar com gente mal educada que se fantasia de “crítica construtiva”.

Se você não gosta de um conteúdo na internet ou de uma pessoa, não a assista. Ninguém está amarrando a sua bunda em uma cadeira e te forçando a assistir meu vídeo. Valorize o seu intelecto. Não canse o seu cérebro com conteúdos que você não concorda.

Sobre os questionamentos de porquê eu bloqueio ou elimino comentários. Vou explicar, o meu canal do YouTube é MEU e somente MEU! Ele não é de ninguém mais e eu sou a única pessoa a responder por ele. Se um dia eu for processada, você vai pagar a minha condenação (caso aconteça)? Não vai, né? Então estamos de acordo que o canal é meu, né? Ok!

Pelo fato do Física e Afins não ser do mundo, eu decido o tipo de comentário que eu tolero e o tipo de pessoa que quero frequentando o meu canal. Ninguém entra na tua casa e te ofende, não é mesmo? Então, por que eu deveria permitir que alguém entre no meu canal para me ofender? Para ofender meus convidados? Para ofender meus inscritos que são educados?

As pessoas precisam desconstruir essa ideia de que o YouTube e a internet são “terra sem lei”, porque não são. Existem leis na internet e se você me atacar, você pode ser processado. Ou tu acredita mesmo que é muito difícil encontrar seu IP? E, consequentemente, seu endereço e telefone? Nos poupe e se poupe. A polícia, facilmente, localiza todas essas informações. Vários “anônimos” de internet foram condenados. Não se iluda.

Eu sei que a maioria das pessoas gosta muito do meu trabalho e me apoia, por isso para essas pessoas eu peço colaboração. Peço que respondam ou denunciem esse tipo de comentário malicioso. Entendam o meu lado também. Sou bombardeada diariamente com esse tipo de comentário. E isso que nem estou falando dos comentários referentes ao fato de eu ser mulher. Esses deixo para outro momento.

Esse desabafo é para que vocês reflitam sobre como vocês usam a internet e que tipo de pessoas vocês seguem. E acima de tudo, que tipo de comentários vocês escrevem na internet. Lembra, que se o comentário não for ajudar em nada, é melhor nem escrevê-lo. Pensa também, se você fosse a pessoa do vídeo, se gostaria de ler o seu comentário.

A minha conclusão é: EU NÃO TENHO QUE.

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