Efeito Forer e a intervenção pseudocientífica

Efeito Forer ou também denominado Efeito Barnum — expressão originalmente cunhada pelo psicólogo Paul Meehl (1920-2003) relativo à reputação de Phineas Taylor Barnum (1810–91) mestre ilusionista — refere-se ao estudo de Bertram R. Forer (1914 – 2000) onde descreve que as pessoas possuem determinada pendência a aceitar características de personalidade gerais como unicamente suas, exemplifica-se determinada situação nos horóscopos, estes por sua vez trazem informações aplicadas à massa como próprias e pessoais aos indivíduos que nasceram em determinado período do calendário.

Um bom exemplo disso é o trecho a seguir, retirado do site Terra com matéria intitulada Confira as previsões do horóscopo de Áries para 2020, acesso em 25 de janeiro de 2020.

“Janeiro é um mês em que você estará totalmente voltado para a carreira, deixando o amor de lado, para depois. No entanto, já na primeira semana de Fevereiro, mais precisamente no dia 07, o planeta Vênus, que arquetipicamente tem a ver com nossa deusa favorita de mesmo nome, começa a caminhar através de seu signo, deixando você irresistível. Um novo amor pode bater em sua porta, mas, se for comprometido, o relacionamento ganha com a passagem de Eros pelo seu signo. O amor pode ficar mais sério durante o mês, mas fique atento a insatisfações e até uma certa frustração. Relaxe e deixe o tempo passar.”

As características presentes no texto tais como referências à posição celeste (Astronomia) e mitologia antiga, metaforicamente, podem se aplicar a x situações e pessoas, mas, por uma razão psicológica as pessoas tendem a adotar para si como características destinadas exclusivamente às suas personalidades e atitudes.

Forer deu um teste de personalidade aos alunos, ignorou suas respostas e entregou a cada um deles uma avaliação geral. Pediu a eles que avaliassem a descrição com uma nota de 0 a 5, como sendo 5 a descrição de que o aluno achava a avaliação “excelente” e 4 descrevendo como “boa”. A média da classe foi 4,26. Isso ocorreu em 1948. O teste foi repetido centenas de vezes com estudantes de psicologia e a média ainda gira em torno de 4,2.

Surpreendentemente Forer demonstrou que conseguiria dar clara descrição da personalidade de um indivíduo ainda que não o conhecesse. A surpresa de tal feito vem de que o texto indexado em sua pesquisa foi retirado de um jornal na coluna do horóscopo, cabe ressaltar que a sua pesquisa não levou em consideração a diversidade dos tidos “signos” de cada indivíduo da pesquisa demonstrando assim o declínio do discurso próprio para signos distintos.

O Efeito Forer vem, ao longo dos anos, explicando o porquê de as pessoas adotarem crenças como astrologia, cartomantes amorosos, os então denominados coachs, tratamentos magnéticos para “metamorfose” de personalidade e outras pseudoterapias que utilizam termos científicos para adquirirem um maior glamour perante o público mais desinformado.

O efeito nos traduz que nós possuímos tendência a aceitar afirmações subjetivas, ainda que falsas, sobre nós mesmos se as considerarmos suficientemente positivas ou lisonjeiras. Não obstante abraçamos afirmações insustentáveis sobre nós mesmos para fazer com que elas ganhem sentido, uma personificação do placebo. Os que buscam aconselhamento de pessoas que se dizem com dons paranormais, coachs comportamentais, cartomantes, entre outros “profissionais” que utilizam de áreas sem embasamento científico ignoram afirmações que, para eles, são condenáveis e aderem profundamente a construção própria destas, modificam seu comportamento de acordo com sua interpretação obtida das informações vindas do “orientador”. Gera-se assim uma onda cíclica que descreve a confiança e o marketing gerado pelas pseudociências. Essa validação pessoal e totalmente subjetiva, entretanto, não agrega quaisquer valores atrelados ao corpo científico.

O pensamento seletivo é um subproduto explicativo do Efeito Forer, isto é, o indivíduo é bombardeado de informações que, não necessariamente caracterizam sua personalidade e ainda sim, pelo processo descrito anteriormente, seleciona aquilo que o convém e adota para si como se fosse uma informação totalmente destinada a si seja por sua necessidade de crença ou pela posição astral do dia em que nasceu. Sobre esta última, Carl E. Sagan (1934–96) — famoso físico, biólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor, divulgador científico e ativista norte-americano — escreve em um de seus mais de 20 livros:

“A pseudociência difere da ciência errônea. A ciência prospera com seus erros, eliminando-os um a um. Conclusões falsas são tiradas todo o tempo, mas elas constituem tentativas. As hipóteses são formuladas de modo a poderem ser refutadas. Uma sequência de hipóteses alternativas é confrontada com os experimentos e a observação. A ciência tateia e cambaleia
em busca de melhor compreensão. Alguns sentimentos de propriedade individual são certamente ofendidos quando uma hipótese científica não é aprovada, mas essas refutações são reconhecidas como centrais para o empreendimento científico.

A pseudociência é exatamente o oposto. As hipóteses são
formuladas de modo a se tornar invulneráveis a qualquer experimento que ofereça uma perspectiva de refutação, para que em princípio não possam ser invalidadas. Os profissionais são defensivos e cautelosos. Faz-se oposição ao escrutínio cético. Quando a hipótese pseudocientífica não consegue
entusiasmar os cientistas, deduz-se que há conspirações para eliminá-la.”

O Mundo Assombrado pelos Demônios” p. 28

Referências adicionais: https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_Forer *** https://conceitos.com/efeito-forer/ *** https://maisretorno.com/blog/termos/e/efeito-barnum

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