Fundação – Trilogia e Quadrilogia – Resenha

Pensei por algumas semanas no local ideal pra eu falar da série de Isaac Asimov, Fundação. Pesquisei para ver o que os outros falaram para ver se seria necessário ou não. Vi muitos vídeos no YouTube e pensei em fazer mais um meu, mas não é bem minha praia ser booktuber. Mas uma coisa reparei: não existem vídeos, praticamente, sobre a quadrilogia escrita posteriormente.

Asimov escreveu Fundação pela década de 60 em histórias separadas que futuramente vieram a ser reunidos em 3 livros, originando a trilogia base. Nela é contada a história da queda do Império Galáctico e sua encarnação, melhorada, posterior: a Fundação. A trama gira em torno dessa ideia de que visivelmente, e por meio da psico-história, o Império que dominava e ordenava toda a Via Láctea estava em declínio. Isso levaria a humanidade a um período de caos de 30 mil anos, previsto, e o projeto da Fundação objetivava fazer com que isso durasse apenas mil anos.

Trailer da série baseada nos livros

A psico-história é uma área de estudo que se pretende a ser uma ciência de sistemas complexos voltado exclusivamente para a sociedade. Ela prevê populações mas não o futuro de uma pessoa. Algo muito coerente dentro do campo de aplicação de sistemas complexos. Os 3 primeiros livros contam a história desses mil anos que se passam. Muitos personagens, muitas reviravoltas, muitas ideias. A construção é feita baseada na queda do Império Romano e a barbárie que se sucedeu na Europa posteriormente à sua queda.

Trantor, o planeta-cidade, capital do Império

Porém partirei de que na realidade você já até sabe um cado dessas coisas, dessas informações a internet está cheia. Mas e a quadrilogia posterior ? Décadas depois Asimov voltou e escreveu 4 livros continuando a histórias do universo. Duas se passando antes da trilogia original e duas se passando depois.

É indicado iniciarmos pela história que vem depois. Aqui seguimos uma história fixa, um personagem fixo, uma ideia fixa. Um pequeno spoiler a ser entendido aqui foi que Asimov aí buscou integrar seus universos, então os livros da Fundação passaram a integrar também o universo dos robôs. Nessa história temos uma aventura fixa em busca de informações sobre o que realmente viria a ser a Fundação em si. Temos aí um retorno à locais presentes em outros livros e à personagens presentes em outras histórias, como Cavernas de Aço. Em opinião pessoal o primeiro livro segue um bom ritmo, um ritmo investigativo que muito lembra a trilogia original. É um livro sem fim, claro. E somos então levados ao livro Fundação e Terra, cujo título já é muito sugestivo sobre sua trama. Nele somos apresentados a mitologias interessantes e expansões interessantes do universo de Asimov. Porém diria que este último livro acaba sendo maior do que o necessário. Me parece que ele poderia ter algumas partes encurtadas, que as vezes parecem feitas para encher trama. Principalmente no que se diz à repetidas discussões entre dois personagens específicos. Mas ainda assim, nada que realmente estrague a história e a jornada pelo desconhecido.

Os livros que se passam anteriormente são, em minha opinião, muito mais interessantes. Principalmente por se tratarem de um personagem já querido de todos: Seldon. O criador de tudo, quase divino, mas aqui nesses livros, novo, humano e falho. Muito longe ainda de ser o Seldon que conhecemos brevemente pelo início da trilogia e das projeções. O primeiro livro trata da idealização de construção da psico-história. Simplesmente saber pode onde Seldon poderia começar algo tão surreal. Temos então um grande tour por Trantor, se é algo que você aguardava. No segundo livro temos uma passagem mais a cara da Fundação. Vemos Seldon a partir de uma certa idade até o momento final, os momentos onde se iniciam a trama de Fundação. Para quem já havia lido tudo antes é um final emocionante onde você se despede de um personagem importante, significativo e que muitas pessoas falaram e falarão no livros seguintes que abordam mais de um milênio no futuro.

Volume único da trilogia original

Mas um detalhe extra é interessante de adicionar. Asimov  quando novo, pelo menos, era conhecido por episódios de machismo. Por livros sem personagens femininas. Na realidade também por personagens não tão identificáveis. Era mais um escritor de tramas do que de pessoas. E eu aceito e entendo essas questões. Porém vemos nesses livros um Asimov diferente, amadurecido e com pensamentos conscientes aparentemente mais modernos. Tanto sinto uma conexão maior com personagens e sentimentos entre eles como percebo um discurso que emula feminismo não visto antes. Até mesmo a sutileza de criticar a cultura de homens imporem seu sobrenome às mulheres após o casamento foi abordado. Com uma descrição disso ser uma prisão, uma marcação a ferro. Uma evolução muito interessante no autor como pessoa, aparentemente, sendo refletido na sua escrita.

Se interessou ? Bem vamos aos links.

Se você nunca leu e está tímido, comece então pelo primeiro livro: Fundação

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