Física Moderna nas Escolas: ter ou não, eis a questão.

Os dois lados da Física: Einstein e Newton

Relatividade. Dilatação do tempo. Radiação de corpo negro. Quantum. Neutrino. Exceto por você ser graduado em Física ou Engenharia, se desconhece esses termos, isso é sinal de que, provavelmente, não teve aula de Física Moderna na escola.

Hoje, nesse post, falaremos sobre o último módulo dos livros didáticos de Física no Brasil, aquele ao qual você nunca teve coragem de folhear as páginas ou que seu professor, por destreza, deixou de lado.

BREVE HISTÓRICO DA FÍSICA MODERNA

Com a virada do século XIX para o XX, houve uma significativa modificação do pensar humano. O Homem começou a conviver com grandes avanços tecnológicos – sobretudo promovidos pela Segunda Guerra Mundial – e isso levou a indagações e aprimoramento do intelecto, cujas bases teóricas estavam restritas à Física Clássica.

As explicações baseadas na Física Newtoniana não conseguiam mais explicar, de modo adequado, diversos fenômenos, tais como: a estrutura e constituição do átomo, a velocidade invariável da luz e o espectro de radiações emitidas por um corpo quente. E, assim, desenvolveram-se novas formas de visualizar a Natureza ao inaugurar a Física Moderna.

A partir dos estudos de Albert Einstein e de Max Planck, a noção de um mundo além do visível trouxe consigo o “paraíso subatômico“. Essa descoberta abriu um leque de possibilidades para compreender os fenômenos do dia a dia.

DA MODERNA À SALA DE AULA

A evolução dos métodos científicos, contudo, permaneceu restrito aos laboratórios e simpósios de discussão. Embora o conteúdo de Física Moderna esteja presente nos livros, existe resistência por parte dos docentes que teimam em focar apenas na Clássica – não que ela seja inútil ou retrógrada, aliás, ela serve de base para os conceitos modernos.

São caminhos diversos que o professor pode inserir a Moderna na sala de aula. Um jeito simples e prático ( o qual meu professor do Ensino Médio, Bruno Carmine Cassino, usava sempre) é ao final das aulas de Mecânica, Ondulatória ou qualquer outro ramo clássico comentar sobre algum acontecimento recente e introduzir os conceitos da Física Moderna. Além de dar um breve contato com o outro lado da Física, por experiência própria, isso acaba instigando os mais curiosos a se aventurarem pela Moderna.

É claro que as equações e as teorias da Física Moderna são complicadas. Fazer o aluno entender radiação de corpo negro, a dilatação do tempo, o paradoxo dos gêmeos, dentre outros, é um desafio para os profissionais. Cabe a eles tentarem trazer com o máximo de intuição possível o entendimento de que a Física é uma matéria belíssima e que está além do formalismo matemático. Ela é responsável por fazer entendermos tudo o que está a nossa volta: desde as divisões do átomo à expansão do Universo.

Os avanços obtidos através do desenvolvimento teórico e experimental da Física do século XX estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia. Esses elementos, frequentemente, passar despercebidos pela sociedade em geral, devido a suas escalas micro ou nanoscópias, mas estão inseridos tanto em medicamentos que agem diretamente no ponto minimizando efeitos colaterais, como em pinturas antiarranhão para automóveis e embalagens que aumentam a validade dos alimentos. Ainda podemos citar a energia nuclear, o microscópio eletrônico, o laser, o transistor, os radioisótopos na medicina e os supercondutores. (Trecho do “Anais do XXXIV do Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia”)

Cabe aqui destacar tópicos para a melhor compreensão dos alunos frente ao ensino de Física – todos eles presentes na dissertação de Plínio Arruda (acesse aqui)

  1. O professor deve trabalhar nas turmas iniciais do ensino médio (1º Ano), o conceito de sistemas de referência como por exemplo um sistema de coordenadas cartesianas;
  2. Por ocasião do ensino da Física Clássica, ressaltar que conceitos como tempo, distância entre dois pontos e massa de um corpo não devem ser considerados de forma absoluta, podendo depender do observador;
  3. Estudar a evolução histórica da Física, ressaltando o caráter descontínuo e as questões filosóficas envolvidas nas grandes mudanças realizadas;
  4. Contextualizar o ensino da Física, ressaltando o processo de modelização utilizado nas construções das teorias;
  5. Destacar a importância da Física Moderna na vida do homem atual;

Por ter conceitos amplos que dialogam com os inúmeros fenômenos naturais, é indiscutível que seja necessário que os professores insiram, da melhor forma possível, os conceitos de Física Moderna. Assim, as últimas páginas dos livros didáticos deixarão de ser esquecidos, e os estudantes ficarão encantados pela praticidade da matéria.

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