A inusitada origem da Penicilina

Se você já teve alguma infecção bacteriana, como amigdalite, pneumonia ou otite, provavelmente conheceu a CON-FOR-TÁ-VEL injeção de benzetacil. Alguns sabem que o princípio desse remédio é a penicilina. Poucos, porém, já ouviram falar da história por trás do descobrimento dessa substância…

Alexander Fleming, médico veterano da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), intrigado pela imensa mortandade dos combatentes por infecções, resolveu se dedicar à descoberta de alguma substância que viesse a tratar essas moléstias.

Alexander Fleming em seu laboratório

Após ficar muitos dias enclausurado no seu laboratório (localizado no segundo andar de um prédio) realizando experimentos, resolvera tirar merecidas férias em agosto de 1928 – digo “merecidas” não só por ele estar exausto, mas também por essa folga ser a gênese da Penicilina. Inadvertidamente, ele acabou esquecendo algumas placas de Petri com culturas de bactérias do gênero Staphylococcus sp. sobre a mesa.

Pronto, estava formado o cenário perfeito para que o acaso agisse…

Ao retornar, em setembro, ele observou que seu descuido ocasionara danos às placas: elas estavam cobertas por uma camada de mofo. Isso porque havia esquecido seu laboratório aberto, permitindo que esporos de fungos estudados por outro cientista no andar abaixo do seu viessem a contaminar as placas.

Antes mesmo de jogar fora o material “estragado”, ele foi surpreendido por uma visita de um colega, o Dr. Pryce, que quis saber como ia os estudos de Fleming. Ao mostrar as placas contaminadas pelo mofo, Fleming notou que existiam áreas em que as bactérias não se proliferaram. Imediatamente ficou surpreso, pois de alguma maneira o mofo secretou uma substância antibacteriana.

Anotações originais de Alexander Fleming. Na imagem, a placa de Petri com estafilococos e o crescimento do mofo que suprimiu o crescimento das bactérias.

Após realizar outras experiências, Fleming concluiu que havia descoberto uma substância que matava bactérias e a nomeou de Penicilina – nome este relativo ao gênero do fungo Penicillium sp.

Porém, o seu uso terapêutico só se deu em 1940 com os cientistas sir Howard Florey e Ernst Chain. Retomando a pesquisa de Fleming, eles conseguiram produzir a Penicilina em escala industrial – amplamente usada no tratamento de soldados da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Quem diria que um dos princípios medicamentosos mais usados na medicina moderna fosse fruto de inúmeras coincidências.

Da próxima vez que precisar tomar Benzetacil, você lembrará que esse remédio foi fruto de um descuido por parte do cientista adicionado a pitadas de coincidências.


Referências:

REZENDE, JM. À sombra do plátano: crônicas de histórias da medicina

FLEMING, A. The discovery of penicillin (Journal from Inoculations Departament, St. Mary’s Hospital, London)

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