Do que são feitas as estrelas?

Qual pessoa nunca se perguntou ao observar uma noite bem estrelada do que seriam compostas as estrelas?

Certamente nos perguntamos até hoje. Agora imagine em 1925 uma mulher propor em sua tese de doutorado que elas eram compostas de hidrogênio e hélio.

Esse foi o feito da astrônoma e astrofísica americana Cecilia Helena Payne-Gaposchkin, nascida no interior da Inglaterra no dia 10 de maio de 1900.

Segundo a cientista, em sua autobiografia, desde a sua infância  era apaixonada pelo universo, o que a incentivou a iniciar desde muito cedo seus estudos.

Em 1919, ela conquistou uma bolsa de estudos no Newnham College, na Universidade de Cambridge. Estudou física, química e botânica, apesar de ter completado a graduação com êxito não lhe foi concedido o diploma, uma vez que, Cambridge só iniciou a conceder diplomas, especificamente para mulheres em 1948.

A carreira científica em sua terra natal era muito limitante para as mulheres o que a fez mudar-se para os Estados Unidos, onde tornou-se doutora em astronomia na Universidade de Harvard.

A cientista começou a lecionar em 1925, mas ocupava um cargo de assistente técnica, com um baixo salário, pois não lhe foi concedido na universidade um cargo oficial de professora.

No período de 1885 e 1927, o observatório de Harvard empregou por volta de 80 mulheres que desenvolviam estudos sobre fotografias de estrelas que estavam em placas de vidro. Conhecidas como “mulheres computadores” desenvolveram descobertas astronômicas muito relevantes, dentre elas, nebulosas e a criação de métodos para quantificar distâncias no espaço.

A partir do conhecimento adquirido em física quântica no Observatório, foi que Payne-Gaposchkin sentiu-se encorajada a descobrir a composição das estrelas.

Cecilia Payne-Gaposchkin desenvolveu sua pesquisa com base na aplicação da equação de ionização criada pelo físico indiano Neghnad Saha, através de estudos e análises, concluiu que as estrelas eram compostas de hidrogênio e hélio.

Entretanto, apesar da descoberta e de suas constatações sofreu com o recorrente preconceito que até hoje mulheres cientistas ou não do século XXI sofrem.

Sua pesquisa foi entendida como errada e contestada até mesmo pelo seu orientador naquele período, o astrônomo Henry Norris Russell, que a aconselhou a omitir as descobertas de sua tese.

Alguns anos depois em 1929, o próprio Russell encontrou o mesmo resultado e o publicou, fez menção ao trabalho de Payne-Gaposchkin, mas obviamente foi ele quem levou o maior crédito pela descoberta. Apenas em 1956, Payne-Gaposchkin tornou-se chefe do Departamento de Astronomia de Harvard, sendo a primeira mulher naquela época a atingir esse feitoSe nos dias de hoje, as mulheres cientistas passam por tantas reprovações sobre a veracidade ou não do que expõe em seus estudos e pesquisas, tendo que diariamente emponderar-se para defender seus ideais em um ambiente machista considerado muitas vezes “masculino”, “impróprio para mulheres”, pense em Cecilia Payne-Gaposchkin em 1925.

Sim, sua conclusão sobre o doutorado foi obviamente rejeitada porque sua descoberta ia contra a sabedoria científica da época.

Acreditava-se, por exemplo, que não existiam diferenças significativas entre o Sol e a Terra (acredite o Sol também é uma estrela!), mas seu estudo foi recusado principalmente por ser mulher. Cecilia Payne-Gaposchkin foi uma das grandes astrônomas da história e segundo a curadora do museu de ciências de Londres, Amy Davy, “O trabalho de Cecilia Payne-Gaposchkin foi inegavelmente importante para nossa compreensão das estrelas e da astronomia. Porém, devido ao seu gênero, teve que trabalhar muito mais para lutar pelo reconhecimento que merecia”.

O retrato do que viveu a cientista revela muito a se inspirar e a principalmente combater no que se diz respeito à desigualdade de gênero dentro das ciências que persiste nos dias atuais, onde as mulheres sofrem constantemente com o apagamento de suas ideias e trabalhos em desenvolvimento por conta do machismo institucional.

Fico pensando em quantas “Cecilias” estão pelo mundo tendo seu trabalho contestado ao ponto de terem suas ideias e sua fala desmerecidas simplesmente por conta de seu gênero e precisam percorrer um caminho muito mais extenso para terem o merecido reconhecimento por suas pesquisas.

A representativa é extremamente importante dentro da sociedade em que vivemos e tanto antes como agora, precisamos de muitas mais Cecilias redescobrindo o universo das possibilidades femininas dentro da ciência.


Referências:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-47940149 https://www.britannica.com/biography/Cecilia-Payne-Gaposchkin https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2019/09/quem-foi-cecilia-payne-gaposchkin-que-descobriu-composicao-do-sol.html


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