Lise Meitner: A cientista que abriu mão da ascensão profissional em prol da humanidade e de seu amor pela Ciência

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Conheça um pouco da história de Lise, a Física Austríaca que contribuiu de forma fundamental para o desenvolvimento da ciência, ultrapassou barreiras de preconceito de gênero e recusou galgar posições mais altas na sociedade em virtude de atos de compaixão e solidariedade humana.

Uma mulher que esteve a frente do seu tempo e primeiros passos na carreira acadêmica.

Elise Meitner (1878-1968), ou mais conhecida por Lise Meitner, despertou interesse pelas áreas de exatas desde cedo, mais precisamente aos 14 anos. Demonstrava suas habilidades e fascínio pelas equações matemáticas, porém em sua época mulheres não podiam prosseguir em seus estudos. Todo conhecimento adquirido era direcionado apenas para uso doméstico e para auxiliar o futuro marido.  O progresso veio somente a partir de 1893, quando mulheres foram admitidas na Universidade. O acesso ao ensino superior foi uma longa batalha para Lise, mas graças ao seu gênio indomável e o apoio de seus pais, após oito anos conseguiu ingressar em Física na Universidade de Viena.

Logo após a graduação, Meitner apresentou em seu doutorado um trabalho voltado à condutividade elétrica e térmica, comprovando através de um protótipo experimental sua tese. Com a finalização de mais uma etapa de sua vida seguiu para Berlim para desenvolver trabalhos no ramo da radioatividade, sendo inicialmente assistente no laboratório do prestigiado físico Max Planck.

Persistência, resistência e coragem: derrubando muros de desigualdade

Além de ser a segunda mulher com doutorado em Física pela Universidade de Viena, também pôde ser a primeira colaboradora de Max Planck, algo inédito para o Físico que não aceitava mulheres no seu círculo de estudos científicos. Em seguida, almejando novos horizontes, a austríaca foi encaminhada para trabalhar com o químico Otto Hahn, onde enfrentou novamente preconceitos. Além da falta de nomeação e remuneração por ser mulher, Lise para poder ter acesso ao laboratório de Hahn entrava pela porta dos fundos, uma vez que os porteiros não permitiam seu acesso pela porta da frente por serem contra as mulheres na Universidade. Somente após um tempo e conflitos internos por não ter reconhecimento em seu trabalho, à cientista passou a ter um salário muito baixo, mas por amor pela ciência aceitou a pequena remuneração e continuou a conviver com a rejeição social no seu ambiente de trabalho, como segundo o livro Mulheres na Física relata “sempre com o intuito de estar presente no local mais adequado para produzir cientificamente”.

Excluída da História: frustrações científicas

Apesar de descobrir em 1917 juntamente com Hahn o elemento químico “protactínio”, a austríaca trabalhava incessantemente em novas pesquisas científicas. Após cinco anos, mesmo em meio a conflitos e dificuldades, fez mais uma importante descoberta: a emissão dos elétrons Auger. Este nome foi atribuído a Pierre Auger. Este estudou o processo logo após Meitner, onde além de receber a homenagem, Pierre foi nomeado mundialmente descobridor do fenômeno. Mesmo sendo apagada da descoberta, Lise Meitner continuou buscando compreender novos fenômenos.

Mais tarde, juntamente com Otto Hahn e Fritz Strassmann, Meitner iniciava seus estudos em Física Nuclear, o que não sabia, era que a história da evidente exclusão social por ser mulher ganharia mais um capítulo.

Meitner possui ascendência judaica e foi forçada a fugir da Alemanha para Estocolmo. Otto e Fritz continuaram seu trabalho em Berlim e através da comunicação por cartas, Lise descobriu que no bombardeio radioativo, o elemento bário era formado. Desvendando assim a possibilidade de dividir o núcleo de um átomo de urânio e liberar grande quantidade de energia, denominando o processo de fissão nuclear. Posteriormente publicado com a ajuda de seu sobrinho, o também físico Otto Robert Frisch.

A postura considerada por muitas pessoas, discriminatória e injusta veio em 1944 quando foi concedido somente a Otto Hahn o Prêmio Nobel de Química pela descoberta da fissão nuclear. O nome de Lise não foi mencionado, só mais tarde conseguiu o reconhecimento pela descoberta, deixando assim um gosto amargo de frustração para a cientista.

A ciência para bem e a ciência para o mal

Meitner acreditava que a ciência poderia ser usada para construir um mundo melhor através de suas descobertas. Durante a Primeira Guerra Mundial, Hahn e outros cientistas foram convocados para produzir gases tóxicos, a física austríaca sabendo do empreendimento, repreendeu o colega por estar em função de uma causa tão cruel, e voltou a Áustria para ajudar o exército de seu país, prestando serviços no ramo da radiologia. 

O que a pesquisadora não imaginava era que mais a frente com o descobrimento da fissão nuclear, o fenômeno seria usado para a criação dos primeiros reatores nucleares e bombas atômicas.

Mesmo não participando do empreendimento o nome da cientista era associado como “colaboradora do projeto nuclear”. A mídia da época a tratava como “a mãe da bomba atômica”, sempre buscando culpabilizar a figura feminina pelo desfecho explosivo.

Um elo de amor: nunca abandonar sua humanidade

Lise Meitner foi atrás de seu conhecimento com garra e determinação, seguindo seus sonhos e se destacando por seu discernimento, onde em nenhum momento de sua história usou do seu talento científico para assumir postos mais altos. Saiu de seu país natal, trabalhou com uma pequena remuneração, sofreu com rejeição social, porém sempre colocou a frente seu amor pela ciência e sua capacidade em ajudar ao próximo sem esperar nada em troca.

Escolhi apresentar brevemente sua história, buscando não apenas informar, mas também repassar este símbolo de admiração e motivação. Gostaria de mostrar a vocês a mensagem por trás de sua trajetória: vá atrás de seus sonhos, acredite, faça dos obstáculos o seu combustível para a superação. Seja forte e assim como a cientista, construa sua história, faça acontecer.


Recomendações sobre o assunto:

Leia o livro Mulheres na Física: Casos históricos, Panorama e Perspectivas https://amzn.to/33ziVr7

Documentário- Mulheres na Ciência: física Lise Meitner (link: https://youtu.be/U2yTT8cWYoU)


Referências:

BARBOSA, M.; SAITOVITCH, E.; FUNCHAL,  Z. Mulheres na Física: Casos históricos, Panorama e Perspectivas. 1. Ed. São Paulo: Livraria da Física. 2015.


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Comentários

3 comentários em “Lise Meitner: A cientista que abriu mão da ascensão profissional em prol da humanidade e de seu amor pela Ciência”
  1. Ciclamio L Barreto disse:

    Bela iniciativa, Gabriela. Muito bom o texto da Thalia. Surpreende que seja ainda uma licencianda, mas imagino que o PIBID a esteja premiando com uma formação diferenciada. Parabéns!

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