A Falácia do “Eu sei o que estou fazendo”

Quem já leu meus textos por aqui sabe que já falei muita coisa sobre estudo. Já falei muitas dicas e muitas percepções pessoais. E já falei também que costumo mudar de ideia conforme evoluo, normal. E evoluir nem sempre é algo bom, significa ir de um estado para um outro, melhor ou pior, embora também “melhor” e “pior” sejam relativos. Olha a confusão essa introdução. Mas a grande questão é que tenho percebido meus erros acumulados que continuamente vêm me cobrando com o tempo o meu infeliz rendimento como pesquisador/estudante. Muitas são as causas, muitas eu já comentei e resolvi. Muitas ainda estão em andamento. Muitas precisei de ajuda médica até para resolver. Muitas foram culpas governamentais. Mas a pior de todas é a sempre presente falácia de dizer a si mesmo que está fazendo tal coisa certo. Vamos lá.

Sou e sempre serei um defensor do home office, por milhões de motivos, até mesmo relativos ao trânsito diário, preenchido por pessoas que poderiam estar trabalhando de casa. Eu brinco até que eu não saio de casa, e realmente, não saio. No começo da graduação eu saia todos os dias, saía até quando eu não precisava, não tinha aula, mas ia para a biblioteca estudar. Também, o almoço na universidade custava surreais 70 centavos. O bandejão. O restaurante universitário. E ainda custa isso na UFF, e com qualidade muito melhor do que na minha época. Porém, com o tempo cada vez menos ia para a universidade, percebia que minha casa era um bom lugar. Moro longe da confusão do centro, numa região em meio à uma APA (Área de Proteção Ambiental), a minha cara. Tenho um ambiente muito bem montado. Cadeira de qualidade. Uma boa tela de computador. Uma mesa de centro no meu quarto feita por mim mesmo, que com o uso de um pufe marroquino como assento eu posso variar meu ambiente de escrita sem  sair do quarto. Mas é difícil render…

No começo da graduação eu me isolava pelas bibliotecas da universidade. Nessa época eu era quase brilhante, estudava para ver se tirava a maior nota da sala, e não para passar, como já pelos últimos períodos da graduação. Naquela época eu não sabia o que era 3G, internet móvel, o computador inclusive tinha uma baixa capacidade de processamento que alguém hoje lendo riria, se não fosse alguém daquela época. Bate papo era no MSN ao chegar em casa. Na rua era SMS combinando com os amigos a hora de irmos ao bandejão comer juntos. Porém hoje é o tempo das distrações. E eu já comentei aqui minhas bem sucedidas tentativas de reduzir essas tentações digitais, aqui e aqui. Porém as raízes da distração internética são muito grande e extensas. Mas não foram elas que me fizeram hoje aqui escrever o texto, apesar de sim, elas sofrerem da consequência do que eu faço.

DCIM100GOPRO
Esse aí é o Parque Lage mencionado, a maioria das pessoas liga para o lindo palácio, mas me interessa mesmo são os caminhos verdes com paradas, bancos e lagos ao seu redor

O ambiente meu não possui barulho de ônibus ou carros, ou ambulâncias. Bem, cada um nas suas possibilidades de manter atenção. Mas se tem uma coisa que um lugar silencioso causa é a amplificação de percepção para outros problemas. Me deixe ser chato aqui, mas vizinhos falando incomodam, ainda mais com crianças barulhentas envolvidas. Bem, é criança, estranho seria se fosse diferente. Ou outros vizinhos com (literalmente) uma dezena de cães convivendo latindo ao mesmo tempo, e em conjunto com a outra dezena dos cães dos outros vizinhos. Ou eventualmente também um barulho vindo do vale atrás da minha casa (o formato do vale faz com que o som feito no fundo dele acompanhe as montanhas, onde eu moro, então ouço gente muito longe de mim como se fosse no meu quintal (é, engraçado né ?!). Percebo essa diferença quando vou fazer trilha e percebo a paz de uma floresta, ou percebo a paz do interior do Parque Laje, no Rio de Janeiro, ou até mesmo do Jardim Botânico. Porém vim me alimentando da falácia que vivo num lugar tranquilo, e talvez sim eu viva, porém meu nível de fraca concentração provavelmente curtiria mais a falta de som da isolada biblioteca da UFF que eu frequentava no começo da minha graduação. As percepções mudam, e por isso é sempre bom não se acomodar com uma solução que parece prática (e como é prático… não sair de casa com a justificativa de ser o local ideal).

Verei as cenas dos próximos capítulos, voltando ao ambiente de biblioteca por alguns dias talvez. E não esquecendo também que a variação do ambiente é uma dica importante que eu mesmo dei no meu post sobre dicas para estudantes.

Guilherme, esperando estar certo (e provavelmente sabendo que sim).


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