Brasileiros e a Vizinhança

Me envergonha muito em ver pelas redes sociais brasileiros comemorando qualquer indício problemático às alianças politico-econômicas com os vizinhos da América do Sul. Depois de tanto ver fica claro que o problema não são questões majoritariamente aos termos dos blocos, dos acordos e das políticas, mas sim puro preconceito. Me envergonha ver brasileiros desdenhando dos países e compatriotas da América do Sul. A vontade as vezes é de desejar o mal para essa pessoa, mas na verdade desejo mesmo é que elas viagem bastante, para esses países, conheça a cultura, as pessoas, as cidades, os costumes, as políticas, as riquezas, e os problemas todos também.

Desdenham tanto da geografia e sobre sua inutilidade que no fim se percebe que na verdade essas pessoas aparentemente faltaram a todas as aulas, ou talvez não por culpa delas o ensino não foi bom o suficiente. Mas então acabam por perpetuar um preconceito, aliado à distância cultural evidente que há no Brasil dos outros países, ao menos da região brasileira costeira, a mais isolada, na verdade, das regiões. Que só tem alguma multiculturalidade por ser mais desenvolvida e daí então receber mais turistas e imigrantes. E infelizmente onde está a predominância pensante, ou não-pensante, presente nas redes sociais.

mercosul-alianca-pacifico-geopolitica

Eu não sou especialista em economia, estou longe disso, mas não sou ignorante e tenho bom senso. Primeiro de tudo, blocos econômicos, funcionam geralmente quando países tem algum tipo de objetivo ou característica em comum, muitas vezes o formato da economia, a complementação de suas economias, e claro, a questão geográfica. Esta última muito importante por um fator simples, mercado é troca de bens, e troca de bens geralmente é melhor quando a distância não é um problema mas sim um facilitador. Por isso de cara já se faz muito sentido que qualquer bloco econômico que o Brasil for integrar majoritariamente a questão de localização será levada em conta, mas não unicamente, claro. Inclusive muito é sugerido de uma maior cooperação com países africanos, pois além de similaridades linguísticas temos também uma aproximação geográfica interessante, mas nada como ser vizinho de muro.

Outro fator a se levar em conta são os benefícios de participação, assim como também lideranças de participação. No Mercosul, por exemplo, somos liderança econômica na região. Numa relação comercial com a Europa somos pedintes, praticamente (como sempre fomos, inclusive). Não estranhe com o fato justamente de sempre termos tido exportação de matéria prima como um forte fator comercial. Veja justamente para que países mais vendemos eles. Vendemos pois as matérias primas pois esses países justamente produzem a tecnologia que nós precisamos deles, como sempre foi. Tanto aí está aquela história de que o Brasil demorou a se industrializar (inclusive tendo a queda econômica do Visconde de Mauá relacionada) pelo fato do Império Britânico querer importar seus bens para cá.  Vender, vender, vender. Tanto que é relatado que até patins de gelo eles venderam para o Brasil…

Agora como funciona a economia ? Ela funciona de uma forma estranha na verdade, quase mágica. A mágica do empréstimo, do crédito e financiamento permitem que o futuro seja criado. Para entender a loucura por dentro dessa ideia veja. Um banco possui mil reais de alguém que o depositou lá. Então outra pessoa pega esses mil emprestado do banco para montar um negócio para pagar em prestações. E então esse negócio começa a render e ela paga eventualmente. No fim das contas temos que o banco aumentou seu caixa por meio dos juros, a pessoa com os mil em conta continua a ter esse dinheiro para quando quiser usar e da mesma forma a outra pessoa conseguiu criar um negócio a partir de um dinheiro que pertencia a outra. É um dinheiro flutuante criado. Talvez um exemplo bobo mas exemplifique o poder que essa ideia possui. Dito isso, é completamente entendível como um bloco de países não tão forte economicamente consigam crescer e se tornarem uma potência sem precisar tanto de ajuda de potencias. É nesse princípio mesmo que bancos em favelas tem garantido o crescimento independente dessas comunidades economicamente. Agora, o grande problema da nossa região é mais outro, afinal, do que adiante o Brasil ser uma das maiores economias do mundo se poucos veem esse dinheiro ? Cuidado os números enganam. Inclusive países que são economias muito mais fracas que nossa talvez seja o país dos sonhos que você sempre procurou mas nunca percebeu. Afinal sabe quantos Nobel tem os países vizinhos ? 11 a mais que o Brasil, que por sua vez possui 0.

Guilherme Vieira, querendo conhecer mais da América do Sul


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