Um Rumo de Vida

Quem você quer ser em si mesmo ?

É um perigo quando se faz uma exposição de uma autoanálise precocemente, mas eu simplesmente não conseguirei segurar esse pensamento apenas para mim. Foco. É o que muitos sabemos que é preciso para atingirmos os objetivos, mas como ter foco em algo ? A resposta está justamente em saber definir o que é esse algo que você quer. E se prepare, é quase um ensinamento por parábolas, tudo metafórico.

Uma grande dificuldade pessoal de últimos anos é a de aplicar um esforço em algo que seja igualável à época em que estive no meu ensino médio, especificamente na escola pré-militar. Era muito fácil se dedicar incrivelmente a algo quando seu objetivo está bem definido na sua mente. E é justamente assim que essas escolas-curso funcionam. Vendo de longe é engraçado mas é eficaz. Na realidade não é pedagogicamente correto, mas funciona no que se diz à impulsão básica de um ser humano. Imagine colocar jovens de 15/16 anos para passar 9h por dia numa sala de aula. Mas ainda convencer esse jovem a estudar durante os intervalos, estudar no horário livre em casa, ir aos sábados fazer simulados, até mesmo estudar em pé no rotineiro ônibus cheio. Esse é o pano de fundo para milhares de histórias de sucesso pelo mundo, sucesso obtido por grandes sacrifícios. E é a minha história exceto que não atingi nenhum desses objetivos que havia traçado, e não sinto saudades de nenhum deles, embora tenham sido úteis como um trampolim para objetivos atuais.

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Porém é difícil definir os objetivos. No início de faculdade era mais simples, era tirar notas altas, manter o ritmo da escola e tentar ser o melhor dos melhores (mais uma vez). Mas daí novas perspectivas surgem no horizonte de uma pessoa que não é ignorante do mundo ao seu redor. No meu caso o começo foi ao fazer o blog Informação Acadêmica, e perceber as possibilidades que o mundo poderia oferecer além do que eu já havia dado como objetivo de vida. Daí então milhares de ideias e então se vê dando mais foco a um site no wordpress do que na faculdade em si. E “uma mente uma vez desperta para o conhecimento, jamais retorna ao seu estado anterior”. Mas como lidar com isso ? Por mais que queira não é possível ser diferentes pessoas ao mesmo tempo, nossa gênese, por assim dizer não faz isso ser possível. E não há motivos para fazermos ser também.

Então hoje percebi finalmente a analogia perfeita à situação. O que afinal é um veleiro no meio do oceano sem alguém para controlar ? Um objeto sem rumo, que muitas vezes parece estar indo com determinação para algum lugar até que a natureza mude e ele mude seu rumo novamente para algo que então parece o objetivo certo a ser seguido. É como imaginar a mudança de objetivos de vida que parecem seguir justamente quando você mesmo já nem sabe dizer qual é realmente o seu objetivo. E é um mal que parece dominar boa parte da humanidade atual, em seus empregos automáticos, sempre mudando a espera de encontrar algo que dê significado, quando muitas vezes a falta de significado está na própria pessoa. O que muitas vezes na verdade é apenas culpa do funcionamento da sociedade, que ainda não é a do tipo “seja o que você quiser”.

Por outro lado a vida acadêmica dá uma liberdade muito grande para ser o que você quiser, ou melhor dizendo, estudar e pesquisar o que você quiser. E isso não significa que as coisas então sejam mais fáceis, principalmente talvez por que a sociedade, as escolas, e a estrutura do econômico-governamental ainda não fizeram as pessoas preparadas para escolherem seu futuro de forma tão fácil. Não a toa boa parte do meu público justamente tem esse tipo de dúvida. Mas em termos pessoais é isso justamente o que me parece acontecer. Quero estudar física nuclear, buracos negros, fenômenos de matéria condensada ou fotossíntese artificial para geração de energia solar ? Todas essas em algum momento deram ou dão um sentimento de significado interiormente, mas isso não é suficiente, mas uma grande questão parece estar evidente quando se considera obstáculos a serem superados. No pré-militar, todas as matérias eram difíceis, até cálculo I eu tinha na escola, mas eram todos obstáculos a serem superados por mim. Não havia escolha, para atingir o objetivo era necessário superar esses obstáculos, mesmo que talvez química não fosse tão interessante, por exemplo. Agora, e quando os obstáculos começam a parecer grandes demais para serem superados, será pelo motivo de serem absurdos ou pela falta de objetivo sua em entender o grande quadro e ir atrás de seu interesse. Pois se a cada vez que o vento não estiver a seu favor você mudará sua rota e nunca chegará a lugar satisfatório algum, a não ser que pelo puro acaso. Não é fácil se convencer de, por exemplo, aprender algo novo com a intenção se chegar a um objetivo se o objetivo não está claro em sua mente.

Porém uma coisa é não ter um objetivo e achar ele durante sua jornada, outra é ter um objetivo mas nunca chegar nele por perceber caminhos mais fáceis para objetivos aparentemente mais imediatos. Vale a pena desviar do caminho para as Índias ou para a América apenas por ser mais fácil chegar a alguma ilha mais próxima sem as riquezas das outras regiões ?

Esse não é um texto motivacional, mas sobre autoconhecimento. Sobre saber quem você é, o que você quer, onde quer chegar.  Rocky não pode ganhar o cinturão se estiver preocupado com a esposa em coma ou no treinador a beira da morte. Talvez seja algo mais fácil de ser feito no campo das atividades físicas, visto que primariamente somos seres de movimentação, mas nada impede que sejamos mais.

Quando eu escolhi iniciar estudos em física nuclear foi para geração de energia, fusão nuclear, Tokamak. Quando o meu orientador seguinte me ofereceu um leque de temas em cosmologia e gravitação, de 8 temas eu escolhi o de extração de energia de buracos negros. Quando me vi jogado para a área de matéria condensada logo pensei nas possibilidades de desenvolver novos métodos de aproveitar a energia solar. Então, se até você já entendeu o que parece que eu realmente quero, fica a pergunta de por que é difícil ainda para mim perceber e focar.

Guilherme, finalizando a autoanálise


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