Perdidos no Espaço – Análise Científica

Livre de Spoilers

Esta não é uma análise puramente cinematográfica, muito menos isenta (embora possamos discutir se alguma análise realmente é isenta). Perdidos no Espaço é uma série de ficção científica/ aventura espacial da década de 60. Juntamente com outras séries de temática similar. Nessa época tínhamos O Túnel do Tempo, onde os personagens estavam perdidos no tempo, Terra de Gigantes, onde os personagens estavam perdidos num mundo de gigantes, O Elo Perdido, onde os personagens estavam perdidos num planeta “jurássico”, e Perdidos no Espaço onde os personagens… Bem, e não é coincidência, foram todas produzidas por Irwin Allen e entre outros. Os anos 60, para os americanos foi uma época de grande imaginação futurista, muito disso impulsionado pela corrida espacial. Essas séries, tais como carros de visual futurista, como os carros rabo-de-peixe, que tinham lanternas inspiradas em foguetes, buscavam uma afirmação dessa identidade espacial da nação. Hoje talvez estejamos numa outra era dessa hoje mesmo, mas análises do tipo apenas acontecem no futuro.

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Diferentemente a nova versão da Perdidos no Espaço, produzida pela Netflix, possui uma ideia de público diverso, não mais americano, como Star Trek já estava fazendo logo pelo seu lançamento, quando ainda a chamávamos por aqui de Jornada nas Estrelas. A nova série aposta em multiculturalidade nos personagens, principalmente os coadjuvantes. E aposta, mais do que na narrativa de planeta Terra virando história, na narrativa de procurar um novo e melhor futuro, de forma similar a como foi feito em Interestelar. O que funciona como excelente alegoria, não exatamente para hoje tentarmos um novo futuro universo afora, pois isso ainda está muito longe de ser viável, mas de fazer um novo futuro aqui mesmo, no excelente planeta ao qual somos perfeitamente adaptados (se não alterarmos muito e bruscamente a forma como ele funciona).

A série mostra cientistas e pessoas comuns treinadas possuindo uma quantidade de conhecimento e organização ocupacional invejável para qualquer empresa. Alguns membros as vezes parecem ser gênios demais, uns poderiam dizer, mas a verdade é que o mundo está cheio de gênios, gênios que simplesmente são qualquer tipo de pessoa que infelizmente não teve um incentivo certo e as vezes precoce (não que seja totalmente saudável). Com a motivação certa imagino, por experiência vivente própria, que qualquer humano tenha a capacidade de coisas incríveis. Para cada pessoa que faz algo incrível na série de vídeos “People Are Awesome”, (Pessoas são incríveis), você deve imaginar que existam milhares ou milhões de outras com capacidades iguais as delas. A questão é: como fazer isso dar certo ? Precisamos entender como nós mesmos funcionamos, qual é a melhor forma de aprendermos algo, de explicarmos algo, de pensarmos em algo. Um ótimo exemplo de ideias nessa linha está no livro excelente Como Aprendemos, Benedict Carey.

Voltando à série, também se pode perceber nela a quebra do estereótipo extremamente errado do cientista gênio que sabe de tudo, que possui todas as respostas apenas por pensar tendo momento após momento estalos na mente que dão a reposta. Não, aqui na série temos o mais importante atualmente: trabalho em conjunto. Pessoas excepcionais trabalhando organizadamente com objetivos em comum, somando seus conhecimentos de forma produtiva. Mais do que competição, colaboração do conhecimento. Aqui as pessoas precisam pegar os dados, precisam fazer contas, e além de tudo, erram nas previsões também, e precisam de opiniões externas.

Acrescento também, evitando ao máximo detalhes por ser uma parte chave da série, que é mostrada a utilidade de diversas áreas do conhecimento. Quando é mostrado que dois cientistas chegam a conclusões parecidas exceto pelo fato de que um está analisando biologia e o outro fenômenos gravitacionais. O universo está interligado, causa e consequência, nada foge deste princípio relativístico.

Gostaria de uma pequena informação cinematográfica ? Bem, na minha ignorância vejo um bom trabalho de todos os atores e roteiro. Posso dizer que alguns momentos são clichês, de desfecho de arco emocional, mas a realidade é que a vida também é clichê. Afinal, já são décadas que as pessoas se pedem em casamento da mesma forma, a ponto de ser um comportamento totalmente previsível. Visualmente incrível, a série ao menos me parece um prato cheio de imaginação em ficção científica. Aproveite.

Guilherme, assistiu rápido, mas soube maneirar. Maratonar tira a graça.

Um pouco de spoiler: Bem, sempre dá para criticar na verdade, mas aí seria o caso de ser cientista chato. Enguias consumindo combustível. Tudo bem até para o caso dos Robinson que tiveram a nave inundada, mas um pouco falho para todas as outras naves que aparentemente tiveram um pouco bem seco. Embora ainda assim seja estranho aqueles seres estarem naquela alta montanha congelada, visto que até antes deles caírem não havia líquido por lá. Uma montanha de gelo afinal. Um problema interessante o do binário estrela-buraco negro, embora não precisasse realmente ser um buraco negro, exceto para dar essa ideia de não ser facilmente visível e assim imediatamente detectável. Embora, da da a proximidade pudesse sim ser visto de forma prática contando com o possível fato de a estrela estar perdendo passa para ele, daí então sendo possível ver o plasma sendo sugado. Outra questão, a ideia do farol era boa (parecia Minecraft) por que então não tentar de novo ? Talvez num ponto afastado das pessoas. Um pulso na verdade é mais do que suficiente para passar dados incríveis, afinal, sinal binário, aceso e apagado. Outra questão é, se as enguias comiam combustível talvez desse para usar elas próprias no aparelho que reciclava as fezes, faria sentido dentro da explicação da série. De qualquer forma, uma ótima saída mostrar combustíveis renováveis como solução, e um tipo de combustível cada vez mais real. Excelentes soluções práticas, como a do balão no veículo afundando. Um modo interessante de falar de ciência é usar das gambiarras, como no real caso da Apollo 13, então espero isso como um ponto forte de futuras temporadas.  Mas espera… se as enguias se alimentavam de combustível talvez fosse interessante ir ao lugar onde essas enguias se encontram pois provavelmente teria material interessante para ser transformado em combustível. Droga, eu sempre volto para as enguias!


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