Bariátrica Digital

Quando uma dieta digital não é suficiente temos que optar por meios mais drásticos de redução.

A batalha contra (principalmente) o Facebook foi razoavelmente vencida. Ele foi neutralizado de uma forma impressionante na vida, graças também à sua própria incompetência, como pelo simples fato de não possuir um modo noturno para meus olhos fotofóbicos. Hoje acesso ele apenas pelo navegador acessando uma lista de amigos e páginas tão movimentada quando minutos iniciais de um “western spaghetti“, inclusive essa minha lista se chama “Facebook”, assim quando a acesso fica na aba escrito “Facebook” e assim me ajuda a me enganar de que não estou acessando o real feed.

O mesmo problema que eu tive com o Facebook chegou ao Twitter, a timeline “dinâmica”, com tweets fora da ordem temporal de uma TIMEline (timeline = linha do tempo, em inglês). Não apenas isso, igualmente ao Facebook, apareceram na timeline os tweets que as outras pessoas curtiram, como se já não existisse o RT. Ou seja, uma subversão da própria rede social. Eu ainda achava que tinha o controle das minhas ações na rede social, visto que era minha principal rede de acesso, mas isso nada mais é do que aquela falácia do viciado, que nunca acha que está exagerando no uso, que nunca está dependente. E eu, assim como fiz no Facebook, seguia poucas pessoas, provavelmente 1/3 da quantidade que sigo hoje. Mas então percebi, como criador de conteúdo eu não podia tanto me isolar assim, isso não seria produtivo, e não era mesmo, quem se esconde não é percebido. Mas então como um castelo de cartas todo esse mundo desabou no encanto, ao perceber que o “sorte” dessa vida social online era provavelmente bem menor que o “revés”.

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Então veio o pensamento, muito subido, depois de um dia inteiro de reflexão profunda sobre o rumo da vida sobre os supostos benefícios que ficar aqui vendo na aba “(12) Twitter” trazia para mim, e desmoronando rápido como o castelo tudo pareceu sem sentido. Desativei o Twitter rapidamente. Uma semana sem era a proposta, para perceber as mudanças no dia a dia. Já imaginei que eu ia ficar num eterno f5 no navegador, que iria me viciar no Facebook ou outras coisas. E o resultado na verdade não poderia ter sido melhor. Na realidade acabei por passar um pouco mais de tempo nos chats da vida, WhatsApp, Telegram, etc. Contato online real. Mais do que dar like em um 140 caracteres de alguém que é uma porcentagem bem baixa de contato (e parando para notar, quase irrelevante). Sobrou mais tempo para outras coisas, mesmo que fosse para ficar apenas a toa. A ansiedade causada por esse empurra empurra de tweets novos começou a sumir.

As redes sociais não foram feitas para você interagir, se lembre. Elas foram feitas para ganhar dinheiro, e não para você ganhar dinheiro também, geralmente. Se você não é cliente você é o produto. Mesmo seguindo quase ninguém o Facebook não me deixava em paz, ele me jogava likes de amigos, marcações de amigos, inventava coisas na timeline para tentar manter ela ativa. Se a timeline parar ele sabe que você sairá dela, então o trabalho da rede social é estar sempre em movimento. Repara. Sempre haverá tweets para mostrar, seja na mesma hora, seja likes, seja lançados 20h atrás, seja propaganda. Ele quer você plugado. O Instagram mesmo também já está nesse mesmo modelo, todos parecem sempre seguir para esse modelo.

Eu já havia falado em como eu pretendia fazer desse site uma espécie de rede social minha, no melhor dos anos 2000 onde as pessoas na internet tinham blogs, fotologs e etc. Tempos bagunçados, mas bons tempos de liberdade. Era tudo mato. O que farei ainda não sei, mas sei que como antes não poderá ser. Poderia voltar como antigamente, e só seguir uns 60 perfis, mas sei que pela nova “timeline” não importa quantos eu seguir, ela continuará movimentada. Experimente atualizar sua página, novos tweets aparecerão. Posso fazer como no Facebook e tentar uma lista. Mas ainda assim postar tweets é viciante, você espera notificações de like, de RT, de interações. A espera mata mais que tudo, o vício da notificação e interação. Sendo realista por finalização, usar redes sociais para receber notícias é praticamente uma desculpa esfarrapada, considerando os vários serviços de feed que existem, bem mais pontuais e voltados para essa tarefa, os quais eu não uso.

Guilherme, agora pensando o que vai fazer com esse @guilhermewells, mas não apenas esse, o Instagram está na mira também, de alguma forma. Afinal, você precisa de like para que ?


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