A Estatística do Futuro

A descrição estatística do mundo. Ludwig Boltzmann disse e então se fez. No começo, sua teoria estatística que descrevia o mundo não era bem aceita. Seu trabalho era desacreditado. Até poderia ser bem feito mas era totalmente sem sentido no mundo determinista que havia. Hoje, provavelmente um dos teóricos mais impactantes na ciência, juntamente com Newton e Maxwell. Sua teoria estatística conseguia prever e melhor fundamentar toda a termodinâmica desenvolvida até então. E posteriormente se mostrou A Ferramenta base de toda a mecânica quântica. É para isso que servem os teóricos, afinal, prever o futuro para quando chegarmos nele não ficarmos tão perdidos.

Mas o que é isso que estou falando ? Vamos longe. A mecânica estatística, matéria que eu tive grande dificuldade em toda a minha formação, pode ser usada não apenas para gases, eletrons, fótons, mas pode ser usada para trânsito, biologia, meteorologia, economia, etc (precisa de mais ?). Usamos ela para previsões, previsões estatísticas. De máxima probabilidade. Não certezas absolutas, mas suficientemente certeiras. E em outro aspecto, que em parte já é o que se faz com economia, é a tentativa de prever o futuro.

Somos criados deterministas, ao que parece, mas não parece ser tão eficiente. Eu demorei, em muitos demoram, a se acostumar com esse tipo de visão, parece feia, uma gambiarra, mas na verdade é uma pura elegância real e digna de louvor. Asimov gostava, gostava tanto dela que seu Fundação e O Fim da Eternidade, por exemplo, se baseiam nessa ideia probabilista do mundo. Em ambas as obras ele tenta tirar o proveito de todo o potencial das teorias probabilísticas e da recente criação dos computadores mecânicos, para realizar todos esses cálculos complexos, e prever o futuro.

E dá ? Bem, você faz isso, você tenta adivinhar o futuro. Na verdade assim somos nós, ficamos sábios a medida que temos dados ao longo da vida aprendemos melhor a analisar as probabilidades dos eventos e tomamos uma decisão. Nunca temos certeza dela mas temos uma boa ideia. Você tem uma boa ideia hoje que de se ver uma propaganda de que você é o 1.000.000.000 visitante do site certamente não é verdade e sim um golpe qualquer para você clicar. Você não tem certeza, pois você não tem acesso aos dados do site, mas você tem uma boa ideia do que é aquilo.

Agora vamos prever o futuro, melhor do que horóscopo, runas, borra de café, tarô… Não especificamente, mas é algo que você pode tentar. A China fez seu programa de redução de população e o finalizou, mas não se mostrou um resultado efetivo ainda, mas pelo simples fato de que as pessoas ainda precisam morrer, as gerações ainda precisam andar e mudar, renovar. O mesmo também acontece com o mundo. Embora seja legal imaginar que as pessoas mudem e assim o mundo fica melhor, na verdade a grande parte é que os jovens mudam, vem com uma cabeça diferente e assim a medida que tomam as redeas das sociedades elas já estão modificadas. Estatisticamente, como no livro da Eternidade do Asimov, a ideia é que o efeito se propaga, o efeito de uma mudança se propaga com o tempo, ainda mais se estivemos considerando regimes caóticos, imprevisíveis a pequenas mudanças, como talvez o fato de uma passeata reclamando sobre 0,20 centavos a mais terem levado a mudanças drásticas no Brasil enquanto centenas de outras iguais terem surtido efeito nenhum. Ou como imaginar como o The Velvet Underground and Nico influenciou tanto vendendo tão pouco.

Agora imagine, como uma geração que hoje cresceu sem contato quase absoluto com a tv aberta terá de diferente da sociedade anterior. E como esse efeito se propagará e modificará a sociedade no futuro. É difícil pensar no futuro bom quando se tem a percepção presente de um futuro tão ruim, mas dá para isso aqui ficar melhor. Mas é apenas a falta da percepção do efeito se propagando para o futuro falando mais alto. O papel da geração mais velha é sempre não encaixar perfeitamente bem na da geração mais nova, e a da geração mais nova não se encaixar tão bem na da antiga. Talvez a coisa muda, talvez nós sejamos velhos de cabeça aberta. Mas todos os velhos já foram jovens um ida e pensaram igualmente. No fim, o mundo está encaminhando para um ótimo futuro, mas não é por isso que você deve parar de fazer algo para isso, é justamente estar fazendo algo para isso, no mínimo representando a nova geração, que faz ele acontecer. É como adicionar num copo d’água óleo e retirar a água aos poucos, com o tempo vira um copo de óleo.

Guilherme Vieira


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