A Ciência na Arquitetura

“Arquiteto” é um nome antigo, ou melhor, um conceito antigo. Quando falamos em Imhotep, um dos primeiros construtores de pirâmides egípcias, chamamos ele de arquiteto, não de engenheiro civil ou outro nome mais genérico, há algo nesse nome que está além da ideia básica de construção. Está um pouco mais nela o sentido de planejador, não a toa ela significa “o construtor principal”. E hoje, mais do que nos últimos tempos está neles boa parte dos desafios futuros sobre a sociedade nas mudanças que ela está enfrentando. Gosto desse tema pois arquitetura por muito tempo foi minha opção de carreira, juntamente com história. Não a toa ambas estão muito conectadas.

A forma como construímos define a forma como vivemos e a forma como vivemos defina a sociedade e o rumo da humanidade. A arquitetura antiga diz como as sociedades pensavam, quais eram suas prioridades e seus anseios. A arquitetura maia os fez desmatar toda a floresta tropical na península do Yucatán para produzir seus edifícios revestidos de calcário, levou e repetidas vezes levaram suas cidades não sustentáveis ao abandono. Hoje enfrentamos um problema um tanto similar, porém muito pior, global.

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Sim, pretendo morar num container. Essa imagem é um prazer de ver.

Repensar a forma como vivemos também implica a pensar em como construímos, como ocupamos o espaço geográfico, com aproveitamos as novidades tecnológicas e as facilidades lógicas que muitas vezes não possuímos de princípio e nos dariam uma enorme vantagem em diversos aspectos, econômicos, culturais, sociais e muito mais. Sou leigo no ciclo total da água no planeta, mas vejo um grande problema na forma como construímos primordialmente aqui pelo Brasil. A reação química do cimento, que usamos no concreto do embolso, das vigas e colunas, das lajes e muros, quebra as moléculas de água transformando elas em outros elementos. O concreto no fim das contas não seca, mas se transforma. E de forma, de todo modo, irreversível. E é algo a se pensar, é saudável construirmos ainda no cimento ? Usar nossa água potável para fazer pedra quando temos hoje um arsenal de materiais descobertos ou projetados ? Outro dia eu estava numa exposição de fotografias do Rio de Janeiro antigo, e é incrível como as casas comuns se parecem com casas atuais em todos os aspectos, ainda mais no pesado telhado colonial, que chega a ser toneladas mais pesados que outras opções mais tecnológicas e modernas disponíveis pelo mesmo preço, e sem o problema de voarem num temporal de verão daqui.

Recentemente tenho me inteirado nos processos de compostagem orgânica e vi que muitas pessoas utilizam banheiros assim, sem descarga. Na primeira vez que vi fiquei um tanto assustado, mas então percebendo a simplicidade, percebendo a economia, percebendo a boa integração sustentável com o ambiente só precisei ver os projetos bem estruturados de arquitetura para ver que é a opção que pretendo para meu futuro.

Penso que a arquitetura nos tempos futuros terá um papel muito mais conciliador com a sociedade do que nunca, temos no futuro uma tendência de home office, uma tendência de otimizar os espaços, uma tendência de “medianização” do mundo, com a (ótima) tendência aparentemente inevitável de um planeta igualitário na classe média. Visto que essa é uma das bases do modelo socioeconômico desenvolvido globalmente até então. Com algumas ilhas de desigualdade, como o Brasil, mas são justamente locais onde o sistema está ainda corrompido em alguns aspectos.

Ps: Certa vez vieram falar comigo sobre Feng Shui, após saberem que eu era físico. Tentaram me falar sobre energias e afins. Levei o assunto. Mas me levou a pensar. Dá certo isso ? Se dá, o que é ? Pode ser placebo, puro placebo. Mas e se esses orientais criaram uma teoria achando que tinha a ver com energias externas mas na verdade descobriram, sem querer, padrões de conforto do humano com o ambiente a seu redor ? Não é por que algo dá certo que sua explicação é a correta. Certamente os humanos não gostariam de viver num caixão, por exemplo. Certamente se sentem minimamente mal num ambiente monocromático. E se há então uma boa teoria biológica por trás disso e os orientais rasparam um pouco na explicação ? É algo a se pensar… Ou não. As vezes é o taoismo falando mais alto mesmo e sou eu cético demais.

Guilherme Vieira


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