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Opa, perai, #voltacomputador!

Sou de outro tempo já. Pois os tempos mudam tão rápido que agora está todo mundo sendo de outro tempo bem rapidamente. Demorei a ter computador pessoal, o PC, e o meu primeiro não era lá essas coisas, tinha o sistema Windows XP Starter Edition, era bem limitado em algumas coisas básicas, que nem faziam muito sentido. Mas ok, foi o primeiro. Mas ainda assim ele me serviu muito bem, talvez eu pudesse ter usado melhor ele do que apenas ficar entrando no orkut para algumas coisas não tão produtivas, mas não se espera tanto também de um adolescente, eu acho. Mas hoje as coisas estão diferentes de modo geral. Vejo isso inclusive nas estatísticas do meu canal no You Tube. Ele me diz de onde as pessoas acessam o conteúdo. E agora boa parte da origem é mobile.

E é engraçado pois eu penso quando paro para ver algum vídeo no You Tube pelo celular e minha auto resposta é: nunca. Simplesmente não consigo gostar e me acostumar em assistir pelo celular e posso dar milhares de motivos, provavelmente. Eu diria de cara que é mais desconfortável, ruim de segurar (ou pior, tenho que segurar a tela). Tem essa coisa de touchscreen, que pode até ser um cado sofisticada mas não é mais precisa do que o mouse com seu ponteiro milimétrico, pixelado. Se une ao fato de geralmente ser visto pela rua, então num lugar ruim para ver a vontade. Além de geralmente precisar de fone, ou se submeter a usar o som do celular, que geralmente é bem ruim e limitado.

Mas a vida não se resume ao youtube. Na verdade, bom seria se ele fosse uma porção bem menor da vida online. Há muito mais na internet que gifs e vídeos. Entendo que é um papo de “quando cheguei isso tudo era mato” mas nem tanto assim. A internet era bem desenvolvida já quando comecei a usar. O facebook pode parecer o auge da comunicação virtual, mas na verdade não é, e nem preciso ir tão longe. O facebook é bom apenas em fazer pessoas trocarem meia dúzia de elogios e algumas notificações de “curtidas”, apenas um check-in de interesse em algo. O orkut podia as vezes ter suas gigantes comunidades inúteis com jogos bestas de posts como “beija ou passa”, se é que isso fazia algum sentido em posts de orkut, mas havia todo um mundo de discussões nas comunidades. Havia interação de verdade, em longos textos e afins.

Levo meu saudosismo mais longe, até as épocas onde era comum acompanhar blogs e ver o que as pessoas tinham a postar, e alguns desses blogs viraram verdadeiros impérios, algumas dessas pessoas hoje estão no topo da cadeia alimentar da internet mundial. E dentro desse mundo passado que apresentei aqui, eu me pergunto, onde está o futuro da geração mobile ? É engraçado que muitas pessoas deem tanta preferência ao mobile quando ele mata justamente a grande inovação dos sistemas operacionais que são as multitelas, as “windows”. Tantas que você fica perdido e sua memória RAM chora de próxima ao overflow, muitas vezes seguidas de um antigo comando, hoje em desuso, ctrl + alt + del.

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Enquanto estou no notebook, maior parte do meu tempo online, uso principalmente a internet, embora bem queria ser mais versátil que isso numa máquina fantástica que é esse meu simples computador de 6 anos de uso e muitos sons já não originais fazendo nos seus circuitos. Mas usar o meu celular, windows phone, ou usar meu tablet, android, é como uma prisão com grandes janelas. Você compreende o que está lá fora e você está perdendo isso tudo. Aplicativos são limitados, a tela é pequena, a usabilidade é comprometida até mesmo pelo próprio design. A internet acaba se resumindo a acessar as redes sociais. Enquanto há uma wikipedia inteira te esperando, que não é tão facilmente acessada do seu mobile. Enquanto há programas de modelagem que podem divertir até esperando para serem usados num computador. Enquanto há jogos mais interessantes que não rodam no mobile. Enquanto há mais espaço para você digitar com todos os dedos em vez dos dois dedos com ajuda de um completador de palavras.

Não sei bem como convencer você a voltar para o mundo dos computadores e seus sistemas operacionais chjeios de configurações, cheios de menus com mais do que apenas 5 opções. Imagino, como uma amiga disse, que esse aumento do uso mobile vem do fato de que muitas pessoas estão com menos tempo para si mesmas, menos tempo para parar, ligar o computador, acessar a internet, procurar coisas que te interessam no buscador, abrir dezenas de abas e passar tempo fazendo algo a mais do que ficar rolando a tela para cima com o dedão.

O uso mobile então tem seu efeito colateral maior em algo que o computador pessoal trouxe de forma inacreditável, a intuitividade de se livrar de problemas. É fato que os aplicativos são feitos de forma a qualquer, quase, conseguir usar, mas com isso você aliena o usuário, embora seja essa exatamente a ideia por trás. Como perguntei no começo do texto, como serão os usuários de mobile no futuro ? Não serão criados nesse ambiente quase desafiador que é o sistema completo, pedindo novos programas, novas configurações, novas possibilidades, e novos errs e bugs. O usuário do computador tinha a possibilidade de ir num fórum, aprender sobre o erro e consertar ele mesmo. E de erro em erro ele até que virava alguém um tanto sagaz na computação, mas mobile… o mais provável é avaliar mal o aplicativo, reclamar, e esperar a nova versão corrigida. Alienação.

Então, que tal, #voltacomputador! Não é por que um é feito para ser usado em touchscreen que o torna algo mais tecnológico. Experimente o ambiente vasto dos computadores.

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