Afinal, o que aprendemos na escola ?

Outro dia eu estava me aventurando pelos hobbies que tento criar ou manter. Cuido de plantas, tenho várias em casa, não sou especialista nem profissional. Acabo fazendo muitas delas sofrerem mais do que prosperarem mas tendo aprender (com os erros principalmente). Nesse dia eu estava tentando entender mais sobre Bonsai, procurei na internet pois sabia que acharia algo, mas mal esperava eu achar um livro completo nas suas centenas de páginas falando absolutamente tudo o que eu podia imaginar e não podia imaginar. Chegou a um ponto onde era discutido o pH do diferentes tipos e solos e a forma ideal, algo um tanto comum para jardineiros mais estudados. Posteriormente, nessa mesma parte do livro, estava sendo detalhadas as estruturas moleculares relevantes para as plantas em questão,m explicando ligações e como elas no fim afetariam a questão do pH e consequentemente o desenvolvimento da planta. Me deu preguiça. Eu não esperava ali ter uma aula de química completa. Mas aí veio meu estalo, eu estava tendo uma aula de química!

bonsai

Contextualização, essa é a palavra. Me fez lembrar meu “Jardim de infância” construtivista, com animais e hortas. No fim não sei se tinha relação mas fica a lógica. Se aprendemos algo que em algum escopo pode ser posto em prática, por que então não tentamos colocar em prática ? Esse problema não é só nas escolas não, esse problema se alastra até os ensinos superiores de ponta do Brasil. E se um engenheiro mecânico botasse a mão na massa e ao longo da graduação fizesse, não sei, um motor simples, ou algum tipo de engrenagem útil simples ? A reflexão do que fazer fica a cada especialista na sua área, mas a ideia de que temos que fazer algo está aqui.

Percebi que provavelmente seria muito mais interessante se na escola eu tivesse aprendido esse conceitos químicos junto a uma atividade prática interessante. Cria-se um propósito para o objeto estudado, cria-se um “feeling” sobre o que está sendo feito. Se aprende que existe um abismo entre a teoria e a prática. Aprendemos regras gramaticais mas depois temos que fazer redações, certo ? É a mesma coisa, por que aprendemos ciência mas não podemos fazer ela da mesma forma ? São projetos simples que isoladamente muitos professores tentam empregar. Seja um levando experimentos que atestam as teorias dadas em sala, sejam com outros fazendo foguetes de garrafas PET, outros fazendo reações químicas divertidas para impressionar alunos.

Mas atos isolados não são uma revolução total no método de ensino. Se perde mais tempo preparando um aluno a ser um robô pronto para passar no vestibular mas não o prepara para pensar e raciocinar, olhar uma teoria, olhar sua aplicação e pensar “isso aqui está certo ?”, “e se eu mudar um pouco esse valor aqui ?”. São coisas que as vezes nem mesmo um aluno formando em engenharia chega a ter numa quantidade razoável em sua graduação. E fico me perguntado o motivo, se é medo de essa mudança dar errado, se é por economia (robôs sentados engolindo conteúdo é mais simples).

É uma sociedade que idolatra tanto o perfil autodidata mas que ao mesmo tempo promove um sistema que mata, esquarteja e crema as possibilidades do aluno de pensar por si nos seus próprios problemas e desafios. Vejo esse problema num caso muito simples. Pedreiros: se beneficiariam absurdamente por um raciocínio geométrico mais sofisticado, contas simples de congruência e fórmulas básicas o fariam um profissional muitas vezes mais preparado. Conhecimentos de proporção básica o fariam calcular melhor diversas quantidades de materiais necessários para algum empreendimento. Mas, já não bastando que muitos acabam por não finalizar a escola, os que finalizam não tem a autonomia suficiente para liderarem suas ideias.

Existe esse plano, o ensino técnico, de ensinar profissões, mas essa é uma visão limitada, é mais do que dar às pessoas uma visão aplicada do mundo, mas fazê-las entender o mundo e saber interpretar ele de acordo com a ciência.

Guilherme


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2 comentários sobre “Afinal, o que aprendemos na escola ?

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