A sociedade num castelo de cartas

O que aconteceria se hoje você tivesse acordado e nenhum equipamento eletro-eletrônico do país estivesse funcionando ? Esqueça o caos, desordem e tudo mais. Pense em você. Sem carro, sem ônibus, sem entretenimento moderno, sem elevador (se mora em prédio). Sem ventilador nesse verão. Sem água gelada. Sem celular para se comunicar.

Mas agora eu quero que você pense em você nessa situação a longo prazo. Onde você arranjará comida ? Os mercados estarão vazios pois os caminhões não funcionam mais para fazer entrega. A geladeira não consegue mais conservar seus alimentos perecíveis. Seu laticínios estragaram. Assim como a carne congelada que era para o mês inteiro. Seu banho será sempre frio. Mas eu não preciso ir longe, a primeira pergunta é a mais importante. Atualmente já temos um problema do distanciamento do produtor rural e do consumidor. Boa parte do preço de um alimento se deve ao transporte e armazenamento. Boa parte dos componentes químicos adicionados a outros se deve ao tempo que demora para transportar assim como o tempo de venda. Sem o funcionamento da cadeia de alimentação que temos como fazer com que uma cidade com uma população de 6 milhões de habitantes se alimente se nenhum alimento chegar a ela. Afinal, essa cidade não produz alimento, nem sua cidade vizinha e talvez só a vizinha desta última. Mesmo assim, o alimento de uma cidade desse tamanho vem de longe, vem em carretas, vem em trens.

Mas digamos que você mora numa casa, com quintal de bom tamanho. Você saberá plantar ? Saberá que frutos dão em qual época ? Como preparar o solo ? São todas perguntas que acredito que o cidadão comum não sabe responder, e digo, eu mesmo não sei tanto assim. Esse cenário apocalíptico que estou propondo aqui pode ser visto como algo de ficção, mas é muito, muito, mais real do que pode parecer. E não falo de epidemia mundial, asteroide caindo na Terra, falo de algo certo, por exemplo. Fenômenos solares. Não é uma questão de “se” mas “quando”. Vez ou outra o sol afetará o planeta podendo causar um apagão permanente total. Claro, reversível. Só precisamos consertar os equipamentos. Todos, do planeta inteiro. Mas enquanto estamos na tarefa surreal de consertar o planeta temos que lembrar que não há mais comunicação na sociedade, temos que lembrar que a sociedade refém da tecnologia não tem mais tecnologia para fazer isso com a mesma eficiência. A última vez que algo assim aconteceu mal tínhamos telégrafo, não afetou a humanidade a grande impacto. Hoje… não conto com isso.

É como uma sociedade construída sobre um castelo de cartas, quando estava no chão sólido o vento não afetava, mas agora, no alto no castelo, cada vez maior, qualquer vento pode colocar tudo a perder.E reconstruir leva tempo. Mas o que proponho ? Voltarmos ao estilo medieval de vida ? Não. Mas repensar na tecnologia que construímos, repensar nos meios de segurança sobre elas. Repensar nos nossos backups. Repensar a forma como a sociedade se monta. Repensar a centralização e urbanização em excesso.

Os Maias, na sua ignorância, devastaram boa parte das florestas para construir seus templos, lenha era necessária. Bastou um período de seca anômala para forçar a grande civilização fora dos seus templos e palácios. Sem mata ciliar, sem rios, com seca, sem água na cidade. Nenhuma cisterna rendeu o suficiente. Nenhum dos deuses os salvou. E séculos depois metrópoles enfrentam problemas de abastecimento de água por motivos similares. Não adianta construir uma ponte levando a civilização para frente se essa ponte não aguenta um período de cheia do rio. E essa é uma frase real e muito comum no Brasil de infraestrutura precária.

Penso ainda, se na escola aprendemos o básico do conhecimento humano, por que não aprendemos tantas dessas coisas que são úteis a um nível importante da sobrevivência humana. Por que a escola, em vez de falar como uma planta cresce não ensina junto a plantar ? Por que a escola, em vez de falar sobre os órgãos do corpo também não ensinar primeiros socorros ? Numa sociedade tão dependente de tecnologia imagino que não ter noções básicas de mecânica e eletricidade é como escolher ser cego num mundo colorido.

Guilherme Vieira, ainda tentando solucionar tudo isso.


Quer se manter atualizado ? Assine a newsletter: https://goo.gl/GZrrNe

Apoie o meu trabalho: https://apoia.se/sechat

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s