Star Trek, há 50 anos sendo o futuro ideal

No último sábado por algum motivo, o qual não me recordo, comecei a falar de Star Trek em uma roda de amigos não familiarizados com a série, e percebi que ela se passava por um total desconhecimento, ao máximo, claro, sendo lembrada em paralelo com Star Wars. E sim, são produtos de um mesmo nicho, de um mesmo grupo de fãs. Mas são obras diferentes e não comparáveis, a certo ponto.

Star Trek originou como série em 1966, numa época onde nos USA estavam passando por um curioso período, onde se havia o medo da Guerra Fria no auge, luta por direitos igualitários internamente, viagem espacial à Lua agendada, um caldeirão de possibilidades. Uma época onde mulheres eram culturalmente subservientes ao homem, e os negros não podiam votar, frequentar faculdades, sentar num assento “branco” de ônibus. A palavra “misto” era algo só provável em ser visto em culinária. Nessa sociedade sessentista veio Gene Roddenberry, com ideias avançadas demais para o gosto da época. Uma série de exploração espacial onde mulheres desempenhavam papel de mesmo nível do homem. Não passou, esse piloto falhou e foi rejeitado. Era absurdo ver uma mulher sentada numa cadeira de comando, esse foi o argumento oficial.

104324
Tripulação original já ao fim da carreira cinematográfica

A segunda tentativa então tomou a forma como se conhece hoje, onde substituíram-se quase todos os personagens. Mas a série “caiu para cima” e agora sua tripulação contava com uma negra interpretando uma africana, um asiático, um judeu travestido alienígena, e posteriormente um russo junto ao comando. Essa era a mensagem a ser passada num país com aversão à negros, russos e asiáticos. Num futuro distante, após um período de guerra, a humanidade conseguiu finalmente superar seus preconceitos étnicos e culturais. Com a tecnologia partilhada pelo primeiro contato com alienígenas conseguiu superar a fome, miséria, doenças triviais. E inspirados nos seus novos amigos estelares a humanidade se lançou definitivamente ao espaço para “a exploração de novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”.

Estamos aqui numa referência às grandes navegações de séculos atrás, mas com um diferencial. Não nos movemos mais pelo dinheiro(pois ele já não existe). Não estamos desbravando para chegarmos à novas rotas de comércio, novas rotas de escravos. Não se trabalha mais para acumular coisas, bens, pois todos já possuem o suficiente. Estamos explorando para novas fontes de conhecimento, novas possibilidades de estabelecer paz com outras raças. “Essas são as viagens da nave estelar Enterprise”.

Utilizando do encontro com outras raças se pôde abordar de forma sutil guerras, racismo, ateísmo, tolerância. Martin Luther King assistia e recomendava Star Trek. Nas séries seguintes vimos capitã mulher, capitão negro, engenheiro cego, engenheira latina, e mais uma tonelada de inclusões de representatividade. Para os entendedores de inglês, fica um dos melhores exemplos. Dois alienígenas que julgam-se de raças diferentes por terem cores invertidas nos rostos (vê a referência ?).

 

 

 

Mas Star Trek não vive apenas de grandes valores ensinados, também vive da tecnologia imaginada para a série. Vimos na década de 60, quando se mal sabia o que era um computador, uma nave automatizada, com computadores comandados por voz(!), com banco de dados interplanetário sobre tudo para se pesquisar, celulares, tablets (uma era sem papel). Viajava pelo universo usando princípios físicos reais de propulsão. Esse é o papel da ficção científica. Não o de prever o futuro, como se parece, mas de gerar o futuro.

Diversos cientistas hoje alegam pela influências diretas da série, alguns a homenageiam, afinal, o primeiro celular de flip foi o StarTAC, o nome não é a toa. O primeiro ônibus espacial foi o Enterprise, por campanha de fãs e adesão da NASA. Essa lista não tem fim, e não terá. Eu, sendo um futuro cientista, ou futuro alguma coisa carrego os preceitos da série como meta a ser alcançada pela humanidade. E estamos mais perto do que nunca da utopia trekkie.


Links adicionais dos 50 anos.

Star Trek: há 50 anos, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve

“Star Trek”, 50 anos de esperança interestelar

Star Trek’s 50-year mission: to shine a light on the best of humankind

‘Star Trek’ turned a five-year mission into a 50-year journey

Guilherme Vieira


Quer se manter atualizado ? Assine a newsletter: https://goo.gl/GZrrNe

Apoie o meu trabalho: https://apoia.se/sechat

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s