Um Novo Método de Ensino (para você não dormir nas aulas)

Introdução
É mais que sabido e comentado em diversas esferas sobre a problemática do sistema de avaliação em todos os níveis. Seja ele fundamental, médio ou superior, sejam críticas por parte de professores como também por parte de alunos. É bem aceito que o sistema é falho e prejudicial à diversas pessoas, senão a todos. Originalmente a forma de ensino era dada pessoa a pessoa e por esta razão o ensino era elitizado, poucas pessoas e geralmente as mais ricas podiam estudar. Após a revolução industrial capacitar pessoas tornou-se mais necessário, e assim o sistema de ensino seguiu o mesmo padrão industrial, que segue até hoje com boas e ruins modificações,como é dito pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov em uma famosa entrevista

A visão industrial, exata e sem erros, se tornou tão grande que adotou-se fortemente o método de avaliação objetivo de múltiplas opções de resposta, que eliminaria o fator de interpretação da reposta por parte do avaliador e faria do sistema mais eficiente e exato, porém vê-se que ela torna pobre a análise acerca do real conhecimento do avaliado. A prova de escolha de opções muitas vezes está associada à gravação de conceitos na mente para aplicação em associações-chave na questão correta. Porém, não sendo negativo com o método de avaliação por completo, existem sim métodos suficientemente eficazes de avaliação por escolhas de itens quando se colocam opções contraditórias que necessitam realmente que se saiba a regra de diferenciação para julgar qual é a opção que está por fim correta, mas da mesma forma esse processo de avaliação possui um problema que vai muito além do momento de provação em si, mas sim o formato de estudo que o aluno se segmenta a cumprir para realizar com proveito esta avaliação, um método robótico de gravação de conceitos por conexões fracas e que são esquecidas horas depois do exame avaliador. Culpa-se muito os alunos por não estarem estudando como devem, estudando direito, porém pouco se pergunta sobre se está sendo ensinado e cobrado de forma coerente. Mesmo na linha de avaliações discursivas o padrão se mantém, visto que as questões possuem um modo de construção pré-determinado a ser explicado posteriormente.

Fazendo uma análise do cenário nacional de ensino sabemos que o grande problema se concentra nas áreas de ciências exatas. Fato que levou a criação do programa do governo Ciência Sem Fronteiras, que embora intercâmbio seja sim uma forma ideal de promover conhecimento de todos os tipos, tanto técnicos como culturais, aponta que o problema do ensino nessas áreas é agravante no país, dada a opinião dos alunos que retornam deste programa. Não seria estranho imaginar que em alguns anos, quando boa parte dos administradores das universidades forem os alunos que hoje tiveram aulas pelo mundo afora, tenham a intenção de promover uma modificação no sistema de ensino. Porém é possível, sem muito investimento monetário, realizar essas mudanças a partir de agora.
Dado que o objetivo é ser bem específico nos problemas e soluções, tudo aqui é orientado à área de ciências exatas, onde tenho muito mais vivência para dissertar sobre o tema.
Caracterizando o problema

As repostas são exatas ? Sim. Mas a interpretação do aluno, o modo de pensar e tudo mais não o é. No ensino médio e fundamental as respostas de matemática, física e química são apenas números para serem marcados ou encontrados. No ensino superior são também valores a serem encontrados, muitas vezes em letras(algébricos), as vezes em números, porém com uma explicação mais aprofundada do motivo desses valores. Então no mestrado temos isso mas somado temos um trabalho escrito analítico suficientemente extenso sobre todo o estudo realizado em determinado tema, igualmente porém em maior escala e nível durante doutorado.

Vamos à graduação. Nos cursos de exatas todos tem que seguir basicamente o mesmo modelo, começando por um ciclo básico e depois seguindo para um ciclo de especialização, seja especialização em determinada engenharia ou área de estudo, como alguém que prefere seguir para astrofísica na graduação de física ou alguém que prefere a área de análise em matemática. As provas geralmente se resumem por quatro questões discursivas por prova e as vezes incluem na avaliação testes acerca de listas de exercícios, que costumam serem dadas para facilitar a aplicação do conhecimento. Esses mencionados testes costumam serem cobrados para garantir que os alunos aprendam a matéria sem atrasos, para evitar que deixem listas e consequentemente matérias acumuladas para o final do período. Em vezes onde isso foi aplicado o resultado é minimamente positivo, mas não ideal. Possuímos conteúdo (livros, notas de aulas, apostilas), possuímos pessoas para retirar dúvidas (professores, alunos amigos e veteranos, tutores), o que então dá errado ? Se é que posso já afirmar isso. É o método de como o conteúdo é dado e avaliado. A comprovação está em anos de estudos, literalmente, por parte de todos que estão habituados à essa rotina.

É visto dentre os alunos sempre uma correria rotineira à medida que as últimas provas vão chegando, ou melhor, uma correria a medida que qualquer prova se aproxime. A tensão de saber mais esse conteúdo leva o aluno, na proximidade de tal, priorizar a matéria x, e assim acabar atrasando a y, mesmo que apenas sem perceber, prestando menos atenção nas aulas de y. Assim, quando percebe, atrasou y, o que implica em mais correria quando a prova desta chegar, e assim é formado um efeito em cadeia terminando com o final do período, o aluno totalmente acumulado de matérias e defeituoso nelas, sempre com uma sensação de que poderia ter sido melhor se tivesse feito tal coisa em tal momento e não a outra.

Além disso, os alunos são submetidos à pelo menos 4h semanais pelo menos a cada matéria observando contas serem feitas, sendo que a realização das mesmas é totalmente inútil, dado o fato de que estão todas presentes nos diversos livros sempre à disposição. Em diversos países uma aula de 2h é piada, algo exagerado. E faz sim seu sentido, visto que o corpo humano não foi feito para aguentar tanto tempo em estado de atenção à algo. O professor realiza deduções de fórmulas, demonstrações de relações matemáticas e físicas a seu modo, porém também é sabido que diversificar é essencial. O aluno acaba por se limitar à forma como o professor ensina, o que pode ser ruim se de começo já não for uma maneira didática para uma pessoa, mas sim para a outra.E por mais que o professor realmente indique livros alternativos para diversificação, na mente do aluno a forma do professor é a que interessará, afinal ela está conectada ao outro principal problema, o da avaliação. Pois se o aluno sabe que a prova será modelada de forma a conversar bem com a forma que o professor ensinou em sala, o motivo para ele procurar outras alternativas é baixo. Isso leva o aluno, que poderia entender um conceito em apenas um dia, levar uma semana insistindo à forma “água mole em pedra dura” por uma semana até obter êxito.

Como comentado anteriormente, a forma de avaliação é a mais problemática, pois é evidente que ela dita a forma e o ritmo de estudo do aluno. No entanto a pergunta é: se somos todos diferentes e com diferentes capacidades, gostos e históricos, por quais motivos devemos ser avaliados todos igualmente ? A criação de um padrão é importante, mas não é possível educar o humano como em linha de montagem. Se um aluno no modelo atual quer ir além em um determinado assunto, ele não se sentirá motivado a buscar mais profundamente sobre isto no momento certo, no clímax do interesse porque “não cai na prova”. E eles sempre pensam “depois eu vejo isso” mas muitas vezes esse “depois” não acontece. De qualquer forma, a avaliação é feita utilizando questões padrões muitas vezes já conhecidas de muito tempo dos alunos e que mudam apenas os dados. Em outros casos, os professores repetem questões dos livros base da matéria, ou então repetem provas ao longo dos períodos. Os alunos então cometem um “crime” mais grave consigo mesmos. Seguindo pelo grande interesse em serem aprovados na matéria, usam o truque mais simples para a aprovação: se preocupam em aprender a fazer as questões, saber como elas se desenrolam e finalizam, conhecer os modelos mais padrões e a partir disso obter êxito e sua aprovação na matéria, encurtando o caminho para a graduação. Muitos professores colocam então questões desafiadoras, que testam a capacidade criativa do aluno, mas desconsideram totalmente o fato de que seus alunos foram ensinados, direta ou indiretamente, apenas a resolverem questões padronizadas, e não a pensarem criticamente. Não foram desafiados em sala, não debateram, não argumentaram. E então, quando se é pedido que em duas horas de prova criem essa capacidade eles falham, e isso que diferencia o tal professor fácil do difícil. Diferenciação que à princípio não deveria existir.

Se em Cálculo I o professor ensinará limites, derivadas, técnicas de integração, e é isso que cairá na prova, qual é a motivação para o aluno se perguntar e continuar se perguntando o porquê do cálculo diferencial funcionar, como ele funciona, quais são suas limitações e suas aplicações no mundo físico e sua conversação com conceitos bem determinados de física. Desta discussão seria possível facilmente se retirar dezenas de teses de doutorado a serem atestadas e seria apenas resultado de uma discussão básica feita por alunos do primeiro período, recém saídos do ensino médio. E a questão não está em obrigar o aluno a ter esses pensamentos, mas motiva-lo e deixar livre para sua criatividade trabalhar até onde desejar assim aprender mais.

Em resumo simples, comparando desempenho de alunos e seu conhecimento do assunto de sua iniciação científica, se feita com proveito, e de matérias que já fez, é evidente ver que o assunto de Iniciação, o qual ele estudou por si, com diversas fontes, com conversas com orientador e outros alunos, e onde raciocinou diversas vezes e transcreveu explicando sobre isso é onde ele mais domina. E que mesmo se perder todo o conhecimento específico da área ainda terá ao menos uma visão geral de como o tema funciona.
Proposta de solução
Bem, um grande problema da humanidade é reclamar infinitamente sem propor soluções. Esse é o modo mais produtivo de saturar um assunto. Frases como “ninguém faz nada” diz uma boa verdade, pois geralmente a autora da frase também faz o tal nada que acusa.

Primeiro fazendo uma análise sobre o problema em si independentemente do tempo de aplicação:
Lança-se um edital para determinada matéria(a qual chamarei também de “tema”) com o que seria, como é padrão, a ementa da matéria, nela são postos todos os livros indicados nos quais os alunos podem aprender o tema (pois assim como aprender com apenas um professor aliena, aprender por um só livro faz mesmo). Os fatores numéricos dependem do número de professores do ramo presentes no departamento do instituto, de forma que é algo variável. Desta forma, para a tal matéria são selecionados um número de professores responsáveis por toda a matéria. Uma ou duas vezes por semana, num sistema de rodízio dos professores, um deles é escolhido para se reunir com os alunos inscritos na matéria para realização da aula.

A aula aqui consiste na realização de algum tipo de problema proposto ou até mais que um, onde é necessário que os alunos o façam em conjunto em sala, com a participação do professor apenas para auxilia-los, nunca para fazer os exercícios, pois o objetivo é gerar debate e argumentação sobre os temas estudados pelos alunos individualmente. O problema deve ser proposto para ter uma duração não maior que uma hora, para não saturar e garantir boa produtividade. Entretanto, esse é um modelo que possui problemas acerca da obrigatoriedade da participação dos alunos, onde pode ser alegado problemas de auto-exposição e similares. Desta forma também pode ser sugerido a realização do mesmo em grupos pequenos, duplas ou trios, para realização com auxílio do professor. Essas aulas devem possuir temas específicos, pré-determinados, para que o aluno já tenha estudado o suficiente para acompanhar bem a discussão. De forma que seja indicado que essas aulas só iniciem após, aproximadamente, as primeiras quatro semanas da matéria no período. Além disso, os professores componentes destas matérias devem estar à disposição em horários pré-determinados, desde o início até o fim da matéria, para atender a todos esses alunos seja por dúvidas, dúvidas avançadas sobre o tema ou curiosidades relacionadas.

Desta forma já teríamos alunos aprendendo por si em diferentes fontes, debatendo sobre temas estudados de forma investigativa e ao mesmo tempo, em vez de termos um professor sobrecarregado atendendo a todos, esse trabalho é dividido, e desta forma o aluno também fica aberto à diferentes pontos de vista acerca do tema, diferentes sugestões de livros, diferentes formas de encarar a teoria abordada. Além de ter já de começo um contato grande com pesquisadores, o que pode levar mais cedo à afinidade com pesquisas. Todo esse modo se assemelha muito ao usado no mestrado e doutorado.

Porém, obviamente, precisamos de um método de avaliação. Assim como temos no fim do mestrado e doutorado um trabalho escrito, é natural que aqui se peça que o aluno escolha um tema, de uma boa gama de temas pré-selecionados na matéria, de acordo com os temas debatidos nas aulas argumentativas semanais, ou sugeridos pelo aluno e sendo aprovado pelos professores, e a partir desse tema o aluno tenha um período talvez curto, de três a cinco dias, para escrever um documento dissertando sobre o tal tema. Sendo feita de modo livre, com número livre de páginas, onde ele pode e deve exibir o melhor de sua argumentação e domínio sobre o tema, de maneira que seja uma escrita original, assim julgada pelos professores, e que não seja apenas avaliada pela quantidade de conteúdo mas pela forma como o pensamento é construído, mesmo que o aluno chegue ao final com dúvidas. Da mesma forma é necessário garantir que o aluno tenha engajamento com as aulas e com os professores, assim considerando também uma avaliação de participação durante as aulas e um número mínimo de visitas à professores, onde ali o professor poderá posteriormente avaliar o desempenho de interesse do aluno nessas visitas, para evitar também casos onde o estudante só compareça na sala dos professores para tomar respostas, pois mesmo o aluno melhor dotado de facilidade com a matéria terá dúvidas, questionamentos ou até mesmo teorias alternativas sobre o tema de forma a avança-lo juntamente com os professores.

Conclusão
E se ainda não foi possível convencer de que esse modelo possui seu valor lembre-se de que o modelo atual permite que o aluno seja formado sabendo, teoricamente, 60\textdiscount da matéria, onde nesses 40\textdiscount podem estar coisas importantíssimas como a teoria que manterá um prédio em pé, ou um navio estável. E da mesma forma estão todos de acordo com esse sistema que sequer cria um pensamento crítico do aluno acerca da sua área, causa estresse nos alunos, retirando o prazer que ele imaginou ter ao ingressar na faculdade, e dos professores, por ter alunos desmotivados e apenas ouvintes que tomam o tempo que poderia estar pesquisando.

A ideia é que seja sim debatido, contestado e duvidado, com boas razões. Pois é assim que uma ideia cresce. O máximo que dê para aprimorar o modelo.

Guilherme Vieira, esperando que ninguém copie e tome posse desse conteúdo totalmente próprio


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