Você é criativo, mas de criatividade humana apenas

Nós humanos, no nosso egocentrismo gostamos de nos colocar numa posição muito elevada, em relação a qualquer coisa na verdade. Não nego que possua suas inúmeras qualidades esse tipo de pensamento, como sociedade, mas também nos serve de venda para uma realidade que pode ser muito muito mais assustadora e frustrante.

Estava conferindo o ótimo trabalho do canal Ponto em Comum, voltado para a divulgação científica e fui relembrado, neste vídeo “Por Que o Céu é Azul ?” sobre, especulativamente, como os outros animais enxergariam a cor do céu, sobre a real natureza das cores e da visão. Veja bem, não existe isso de cores, elas são uma invenção do nosso cérebro para diferenciar, num minúsculo espectro de frequências eletromagnéticas, as diferentes frequências. Nossos olhos como antenas, captam uma radiação e dela se faz informação útil. As cores são uma forma simplificada de se fazer isso. E é aí que mora a deficiência.

Recentemente tem se divulgado até sobre a realidade de que civilizações antigas não enxergavam propriamente o azul. Era o caso de que quase nada na natureza é realmente azul, à exceção do céu e do mar, mesmo assim nem sempre. As pessoas apenas enxergavam realmente como uma cor diferente ao serem ensinadas sobre isso. Por raridade é possível encontrar nos Maias uma descrição para o azul, tanto que até produziam a tinta, e também em alguns casos no Egito. A nossa mente nos engana também sobre o que vemos e imaginamos.Veja uma matérias completa sobre esse caso aqui.

Outros animais possuem outros espectros de alcance da luz, alguns enxergam infravermelho, outros microondas(bom essa eu não confirmei), para alguns animais nossas transmissões de tv poderiam estar os cegando. Mas agora tente, apenas tente, imagine uma outra cor que não existe, invente uma! Você consegue ? Ou você acha que consegue mas na verdade ela é apenas uma outra cor mistura das que conhecemos ? Nos gabamos de todo nosso potencial imaginativa mas não conseguimos algo simples como criar um novo objeto de visão.

Isso abre para uma discussão diferente, sobre os limites da nossa imaginação e nossa capacidade intelectual. Não vou prolongar em escrita, veja esse vídeo com o genial Neil deGrasse Tyson:

 

 

 

Assistiu ? É necessário. Se nossa imaginação, que por consequência é praticamente nossa inteligência, pode ser tão limitada assim, o que nós realmente fazemos, criamos mesmo ou associamos diferentes padrões conhecidos em um novo e sentimos que isso é totalmente novo ? Nas nossas obras de ficção científica temos uma extrema dificuldade em tratar de novos mundos, fazemos alienígenas parecidos com terráqueos, sejam insetos, répteis, peixes. Na ciência trabalhamos muito por analogia a sistemas mais naturais para chegarmos a novos. Esse é um caminho que muitas vezes pode nos cegar para gigantescas descobertas. Não a toa é um assunto tratado frequentemente em obras de Star Trek, ou no clássico(e cansativo) Solaris, ficção científica soviética. Muitas vezes não procuramos o desconhecido, mas reflexos de nós mesmos.

Os nossos distantes parentes neandertais eram bem desenvolvidos, sabiam navegar por curto percurso. Mas não eram tão loucos desbravadores a esse ponto, eram limitados. Numa realidade alternativa poderia esse planeta ser dominado por neandertais, talvez bem desenvolvidos tecnologicamente, mas de maneira bem diferente, lenta e não tão explosiva como os radicais(nós) sapiens.

Na ciência é cada vez mas necessário níveis absurdos de abstração, e nós parecemos estar tendo uma grande dificuldade de entender, deixando que a matemática nos guie e nós depositemos nossa certeza em seus resultados, sem bem conseguir explicar por nós o que de fato acontece. A dualidade onda-partícula na mecânica quântica, as deformações e a própria existência do espaço tempo. Veja, quando se formulou a relatividade geral logo se pensou em ondas gravitacionais, mas afinal, já existiam as eletromagnéticas, e antes dessas as mecânicas sonoras, podemos, nessa busca inconsciente, ou não, de analogias, perder “chutes” teóricos imensos, caminhos fantásticos que poderíamos tomar. O próprio Einstein quase considerou sua solução para as Ondas Gravitacionais como um resultado puramente matemático sem vínculo com o mundo real. E isso é algo que ocorre muito, pois julgamos que sabemos o suficiente para descartar certos resultados com uma incrível facilidade, com esse julgamento humano limitado. Será que é possível nós conseguirmos nos libertarmos dessa prisão mental da imaginação associativa e conseguir imaginar de verdade ou demoraremos muito engatinhando ?

Aproveite e confira o vídeo comentado aqui

 

Guilherme Vieira, um pouco chateado depois de perceber que nunca foi genuinamente original


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3 comentários sobre “Você é criativo, mas de criatividade humana apenas

  1. Eu acho que não há problema nenhum em não sermos capazes de imaginar algo sem estar associado à um ponto de referência. Vc não pode se cobrar esse tipo de coisa. Se vc nasceu com essa fisiologia, aceite-a e viva por meio dela. Segundo os cientistas de plantão, a vida surgiu e se transformou no q é hj por meio da evolução, adaptação ao meio. Vivemos cercados por radiação ultravioleta e não evoluímos para podermos enxergá-la, será que precisamos mesmo ver? Se o ser humano, evoluído e adaptado, não consegue enxergar em ultravioleta ou abstrair sua imaginação, será q poder fazer isso é realmente necessario pra nós? Somos os únicos na Terra q tem a habilidade de imaginação, e isso ja é mta coisa, vide o mundo q construímos (coisas boas e ruins, tudo provém da imaginação). Vc não pode cobrar de si mesmo algo que foje da sua natureza. Essa sede por mais conhecimento normal do ser humano. Querer sempre mais de alguma coisa. Para os cientistas, é o conhecimento de tudo, descobrir a origem de tudo e como tudo funciona. Temos q aprender a lidar com a possibilidade de não conseguirmos isso. Não se preocupe em ” perder “chutes” teóricos imensos”, vc com certeza não é o único preocupado com isso, mas as vezes temos que aceitar que não veremos as grandes coisas que gostaríamos de descobrir.

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    1. Depende, não é apenas por questão de necessidade mas de vontade. Para a vida comum animal no planeta, realmente não parece necessária(“parece” pq como não imaginamos tanto, pode ser que seria necessária mas não saberemos). Mas para seres que chegaram a níveis tão complexos de interação e, principalmente, seres cientistas se torna muito necessário. Se pudéssemos inferir coisas realmente únicas e testar em teorias um mínimo cortaríamos muito o tempo de especulação. Einstein apenas relativizou o tempo depois décadas de nada dando certo, meio que sendo uma das únicas opções restantes. Costuma ser preciso eliminar todas as opções lógicas, para nós, para usarmos a opção não lógica. Einstein é relembrado justamente por uma capacidade(mesmo que o mundo estivesse já sem opções) de pensar nas opções que ninguém imaginaria, mas ainda assim a origem de ambas provém de eliminação e associação com resultados experimentais.

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      1. Segundo a teoria da evolução de Darwin, o mais adaptado é o que sobrevive, o que resta. E segundo essa lógica, o ser humano hj é o ser humano que “restou”. E esse ser humano ainda não é capaz de fazer isso que vc está propondo. Segundo Lamarck, os seres vivos teriam evoluído segundo seu próprio esforço, mas Lamarck foi desacreditado pelas teorias de Darwin, que propunha que a adaptação do indivíduo vêm de nascença e não do esforço do mesmo. A variável do assunto é o ser humano, porq ele é capaz de se esforçar conscientemente doq está fazendo, não age simplesmente por instinto (ou será que o instinto do ser humano é a consciencia?). Segundo a evolução, não poderíamos desenvolver uma capacidade inata (diria até orgânica), natural, por meio do esforço. Seria necessário que alguém nascesse assim espontaneamente e seria tbm necessário que o meio onde o ser humano habitasse gerasse essa demanda de abstração. Quem sabe um dia, se o ser humanos forem fazer viagens espaciais esta capacidade mental de imaginar algo original não apareça na mente de um indivíduo? Quando digo que não precisamos é nesse sentido. Não se trata de o quanto queremos saber mais ou criar algo original e sim é necessário que todo um contexto se crie ao redor. Acredito que nós tenhamos o poder de induzir esses resultados, por conta da consciencia, mas não de chegarmos a eles como indivíduos atuais.

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