A tecnologia e a ilusão do comodismo

Qual foi o seu esforço para beber um copo d’água hoje ? Imagino que tenha sido o de encher ele e tomar água. Fácil, não ? Vamos lá. Os avanços tecnológicos estão aí justamente para tornar essa tarefa de beber água tão trivial quanto a de respirar, e estamos fazendo isso razoavelmente bem com o tempo. Veja o avanço para a sociedade que foi ter a roda, como mecanismo. Civilizações inteiras se extinguiram por não possuir essa tecnologia, assim como a tecnologia bélica, que fez dos europeus os futuros moradores dominantes da América. Mas sem perceber podemos estar nos afundando numa armadilha armada por nós mesmos.

Pense no esforço que seria para você, morando numa montanha relativamente alta ter água, ou melhor, ter diariamente mil litros de água. Imagine-se na seguinte situação, você é pago para limpar e transportar em baldes mil litros de água num único dia de um reservatório para um reservatório de uma casa no alto dessa montanha. Se fosse tanto você realizando a tarefa como alguém contratado você acredita que o valor de R$ 3.00 ou quem sabe R$ 4,00 para toda a tarefa seria o suficiente ? Acredite, é o preço que estipulamos para essa tarefa, porém, realizada por um maquinário inventado por nós.

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Reuters/Sigit Pamungkas

O trabalho de entrega de água encanada é barato a esse ponto, a fazer uma tarefa que há muitos anos seria dedicada a escravos sem qualquer dignidade de trabalho para um serviço barato, nesse sentido, e muito mais eficaz. O mesmo ocorre com a energia elétrica, veja bem, você ficaria pedalando uma bicicleta eternamente para girar o ventilador que você liga para dormir ? Imagine a velocidade dele, a força que você empregaria, isso sendo generoso, pois acoplar uma bicicleta para rodar o ventilador já é luxo tecnológico. E no fim do mês, essa tarefa numa noite de sono todos os dias não custa muito mais do que R$ 10,00.

Bem, a razão desse texto não passa nem perto de ser anti-tecnológica, mas sim mostrar que sem percebermos não é possível nem fabricar um lápis é tão local e trivial, usamos grafite de um lugar, madeira e outro, e assim vai. Temos que criar bases sólidas para todas as nossas tecnologias e também muitos graus de redundância para sistemas críticos. Backup de backup de backup. Não apenas por parte das políticas governamentais mas também em cada pessoa. Pois não é duvidável que se hoje tivermos um grande problema de abastecimento de alimentos numa grande cidade muitos estarão perdidos sem ter ideia de como cultivar alimentos básicos com qualidade de eficiência. A tecnologia evolui mas o fato de sermos humanos e nossas necessidades continuarem as mesmas cria uma raiz com conhecimentos básicos que são mais do que necessários.

Se por acaso houvesse um problema com o abastecimento de águas na cidade é preciso saber mais do que apenas reclamar. Se possível termos sempre uma carta na manga, termos um condensador, coletor de águas da chuva. E é preciso que esteja mais integrado à pessoa comum do que é atualmente. Pois apesar de toda a tecnologia que nos cerca, alguém que não está ligado diretamente à produção dessa tecnologia sequer tem ideia, por exemplo, de como montar um rádio amador, tecnologia já de século, para se comunicar com o meio externo. Precisamos ser mais se quisermos manter com segurança a estrutura da sociedade.

Guilherme Vieira, se dando conta que não saberia montar nem um trabuco.


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